Grupo Literário A Ilha 

                                                                                                    


 

 

                                                       
                               

                              
20 ANOS DE LITERATURA

                                                           Luiz Carlos Amorim
  

                            

Com vinte anos de atividades ininterruptas completados em junho de 2000,  o Grupo Literário A ILHA é um grupo de poetas e escritores de Santa Catarina que procura manter os espaços que já conquistou para divulgação e popularização da poesia e continua na procura por novos espaços. Como é o caso da explosão da poesia nos shoppings das maiores cidades do estado. O Grupo aderiu aos novos concentradores de público e conquistou espaços  dentro dos shoppings, passando a exibir lá o seu VARAL DA POESIA, que então passou a chamar-se Projeto POESIA NO SHOPPING.

       

Outros projetos: POESIA NA RUA - poesia em out-doors, pelas ruas das cidades; PACOTE DE POESIA - o livro dividido em folhas soltas dentro de um pacote de pão ou simplesmente de um envelope, a capa; POESIA CARIMBADA - a poesia para ser impressa em qualquer suporte; PROJETO SANFONA POÉTICA - folhetos com poesia distribuídos gratuitamente; POESIA NA ESCOLA - a poesia dos autores da terra em apresentações feitas no computador, para as salas de aula; Projeto O SOM DA POESIA - poemas gravados por comunicadores do rádio, em CD;  as Edições A ILHA, quase uma editora cooperativa, publicam o SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA, revista que reúne os trabalhos de todos os integrantes do grupo, folhetos e sanfonas poéticas, livros solo e antologias. A revista SUPLEMENTO LITERÁRIO A ILHA é trimestral - em dezembro, sai o número 75.
Por último, há o portal literário A ILHA na Internet, mostrando todo o trabalho do grupo e de outros escritores do país e do mundo, chamado PROSA, POESIA & CIA., em  http://www.geocities.com/lcamorim, com seções como a edição on-line da revista do grupo, Suplemento Literário A ILHA, a coluna Literarte - informação literária e cultural com muita poesia, seções como Grandes Mestres da Poesia, focalizando a vida e a obra de Quintana, Coralina, Cruz e Sousa e outros; Literatura Infantil, Resumos para o Vestibular, Livros on-line, com obras poéticas em português, espanhol e inglês; Autores Catarinenses, com os nomes mais expressivos da literatura catarinense, como Urda Alice Klueger e Enéas Athanázio - e duas antologias - "Todos os Poetas", já com mais de 200 poetas e "O Tema do Poema", poesia temática. O site é atualizado constantemente. 
O Grupo foi fundado em São Francisco do Sul em 1980, mudou sua sede para Joinville em 1982 e migrou para outra ilha em 99, Florianópolis.
           E-mail para contato: lc.amorim@ig.com.br

 

 

             
                     
500 ANOS / 20 ANOS

                                                     Urda Alice Klueger 
                                                                              (junho/2000) 

Nestes tempos de comemorações dos 500 anos do Brasil (vou fazer de conta que nem os índios nem os Sem-Terra apanharam feio das polícias, nem que outras barbaridades houve), li, em algum lugar, que alguns portugueses de 1500 e de antes eram totalmente contra que se arriscasse as vidas da fina flor dos homens de Portugal em navegações incertas e sem sentido. Segundo aqueles profetas do Apocalipse, Portugal tinha muito pouca gente para mandar seus filhos enfrentar o grande Mar-Oceano, onde, provavelmente, eles seriam devorados pelos grandes monstros que a imaginação ibérica e européia acreditava estarem patrulhando os abismos que, fatalmente, engoliriam qualquer tipo de caravela ou outro barco ousado.  
Numa coisa os nossos profetas tinham razão: Portugal tinha muito pouca gente. Em 1500, o pequeno/grande país tinha uma população de 1.000.000 de pessoas – se se descontar as mulheres, as crianças, os velhos e os doentes, talvez sobrasse alguma coisa como 200.000 homens, para cuidar de tudo em seu país, e para conquistar todos os mares "nunca dantes navegados".

A nossa sorte é que aquela minoria não foi ouvida, e os portugueses lançaram-se aos mares, e acabaram sendo quase os donos do mundo, e nos deram um Brasil danado de bom, apesar das batalhas campais com índios e Sem-Terras. Já pensou se eles tivessem dado crédito aos seus profetas derrotistas, e não tivessem se lançado à aventura do desconhecido? Nem dá para imaginar como o mundo seria hoje.
Daí, pensando nos portugueses, lembrei-me de outro fato notável. Um jovem poeta que, faz vinte anos, morava em São Francisco do Sul, naquela ocasião achou por bem publicar uma revista. Tratava-se de "A Ilha", revista que, de uma forma ou de outra, todo o mundo que lida com literatura, em Santa Catarina, deve ter visto ou ouvido falar, ao menos. O que fez com que o jovem poeta, que se chama Luiz Carlos Amorim, resolvesse sair na chuva para se molhar, começando uma publicação que, no começo, era muito simples, tão simples que muita gente nem levava a sério? Lembro de antiqüíssimos números de "A Ilha", xerografados ou mimeografados, mas sempre chegando na casa da gente, sempre trazendo as novidades literárias do Estado, notadamente da região norte de Santa Catarina.
Quando "A Ilha" surgiu, todo o mundo gostou? Uma ova, teve gente de penca que não gostou, notadamente aquele pessoalzinho que se considera a "inteligentsia" da literatura catarinense, aquela gente que se tem em alta conta, que acha que só escreve obras primas, mas de quem o leitor raramente ouve falar e nem consegue deglutir os livros.
Que teria sido de "A Ilha", se o seu idealizador tivesse levado em conta os comentários do pessoal da "inteligentsia"? Decerto que teria parado no primeiro número – vá agüentar-se as sandices que as pessoas "cultas" são capazes de dizer!

O que o Luiz Carlos Amorim fez foi comportar-se como os portugueses do século XV – não prestou atenção aos profetas daqui do estado, assim como os portugueses não prestaram atenção aos profetas do Apocalipse, e continuou, número após número, fazendo circular a sua revista, por mais simples que ela fosse, por difícil que fosse publicá-la.
E agora, hoje? Agora a revista "A Ilha" já esta fazendo 20 anos, e é linda e colorida, circulando por todo o planeta via Internet. O endereço? É
http://www.planeta.terra.com.br/arte/prosapoesiaecia. Dê uma olhadinha lá, para você ver quanta informação e quantas seções interessantes. Penso que toda a "inteligentsia,", hoje, tem vontade de tirar uma casquinha em "A Ilha". E por que? Porque o Luiz Carlos Amorim acreditou que podia ter uma revista; porque ele não ficou ouvindo os cães que ladravam – ele pegou a caravana e passou. Fez bem como os navegadores portugueses. E, enquanto o Brasil comemora os 500 anos (apesar das barbaridades), "A Ilha" completa seus 20 anos de vida. É um tempo impressionante, neste país de altos e baixos. Só tenho uma coisa a dizer : "Parabéns, Amorim! Muitos  20 anos para "A Ilha!".

Portal de Literatura
PROSA, POESIA & CIA.
do Grupo Literário A ILHA