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O Jazz é musica de elite?
Kiko Continentino

                                     

Ano passado tive o prazer de participar com meu conjunto instrumental (o ContinenTrio, formado com meus dois irmãos e um baterista) de um prestigiado festival de música de qualidade no país, o Tim Valadares Jazz Festival, em MG. Seu organizador, o jornalista Tim Filho me chamou a atenção para um detalhe. Algumas pessoas na cidade (Governador Valadares) torciam o nariz dizendo que o jazz é música de elite, não reflete os anseios do povão. O curioso é que grande parte do público do festival é proveniente das áreas mais pobres da cidade, ao passo que as pessoas que o criticavam por tão importante trabalho situam-se nas camadas mais favorecidas da população. A pedido de Tim, comecei a elaborar um ensaio sobre o tema, que trancrevo agora:  
 

O Jazz é música de elite ? 
 

     Para mim trata-se de uma pergunta provocante e polêmica. Como gosto de coisas do gênero, vou tentar me aprofundar um pouco mais na questão fazendo algumas considerações à respeito do significado das palavras que formulam esta análise.  

     Na minha opinião o jazz não é apenas um estilo de música. Mais do que isso ele representa um conceito musical / artístico. Podemos afirmar que o jazz não é apenas o que se toca, mas principalmente como se toca. Um aspecto que conta muito é a atitude do músico frente ao risco, frente ao incerto.  

     Não existe limite, não existe formato imposto, talvez apenas sugerido. E o músico (artista) tem o direito (e até o dever) de propor novas soluções, novas direções. Para se tocar bem o jazz há que se ter um preparo técnico altíssimo, com similar na música erudita além de outras poucas exceções.  

     Mas o jazz também requer do músico o exercício pleno de sua criatividade. O que destaca o grande jazzman dos demais não é sua técnica, não é a forma e sim o conteúdo de suas idéias. É a maneira com que ele imprime sua identidade no som. Muitas vezes com elegância, com sutileza, outras tantas com vigor, impacto, enfim: o conceito jazzístico permite que o artista crie, exponha sua personalidade na música que está concebendo.  

     Essa música não precisa ser necessariamente jazz. Pelo contrário, vejo cada vez mais o jazz como um veículo para outras linguagens, um passaporte para qualquer direção. Quem cursou essa escola está apto a mergulhar em outros estilos, logicamente com a humildade e respeito necessários à pesquisa de qualquer natureza.  

     Prosseguindo na insana tarefa de decifrar o indecifrável, vamos agora abordar o conceito arte de elite.  

     Historicamente sabemos que o conhecimento, o acervo de idéias de qualquer espécie (ciência, tecnologia, comportamento e arte, por exemplo) sempre esteve retido nas classes dominantes da sociedade. De natureza política, militar, econômica ou religiosa - o que muitas vezes englobava todos esses poderes - essa elite dominava as artes, interferia no seu desenvolvimento, deixando as classes menos favorecidas à margem desse processo, obviamente. O conhecimento, o saber, a cultura estava nas mãos dos poderosos, a elite.  

     Ao povo restava a luta pela sobrevivência. Interessante notar que pouca coisa mudou nesse aspecto, a não ser talvez um detalhe que veremos mais adiante.  

     O século XX representou um turbilhão na história da humanidade. Conquistas em todas as direções, tudo acontecendo numa velocidade espantosa, num ritmo vertiginoso de expansão contínua. O jazz despontou até a metade do século como a música popular norte-americana, estendendo essa popularidade ao resto do planeta. As pessoas cantavam e dançavam ao som das big-bands (as orquestras de jazz). Era a música que se ouvia nas rádios, nos programas de televisão, nos filmes de Hollywood. Era a trilha sonora de uma época, de uma geração.  

     À partir dos anos 40, com o fim da era do swing, os músicos de jazz evoluíram de forma definitiva, evolução essa contestada por alguns puristas. Mas é importante saber que inegavelmente o movimento be-bop, encabeçado por Parker, Gillespie, Monk, Powell, Mingus, entre outros gênios, constituiu um salto qualitativo, uma conquista observada no tripé básico do idioma musical: melodia, harmonia e ritmo.  

     Coincidentemente (ou não) o jazz perdeu o status de música popular, se transferiu dos grandes salões onde as bandas se apresentavam em bailes efervescentes para o aperto dos enfumaçados night-clubs. Outros movimentos viriam, o cool-jazz de Miles Davis (e Gil Evans), o free-jazz de Coltrane, até o fusion (com Miles novamente como um dos principais expoentes), onde o jazz essencial de alguma forma se esgotou e prosseguiu sua evolução incorporando-se a outros estilos como rock, blues, soul, etc. Até a bossa-nova interferiu nesse processo. Mesmo assim, cada vez mais o jazz moderno foi se associando a um público de nível superior, culturalmente falando. Desnecessário dizer que trata-se de uma minoria da população. São pessoas que aprofundam seus conhecimentos nas escolas, universidades, teatros, museus e afins. E é aí que reside nossa questão. Estamos falando de uma elite cultural e não econômica. Por mais que uma coisa possa interferir na outra (com dinheiro se tem melhores condições para estudar), tenho observado atualmente esse panorama se inverter de forma sutil, porém efetiva.  

     Gostaria de me transportar para a realidade de nosso país.  

     A cultura musical brasileira - uma das mais vastas e ricas do mundo moderno - teve seu ápice nos anos 60 junto com o cinema novo, a poesia, a literatura, as artes plásticas. Muitos acreditam que até o golpe militar em 1964, a cultura no Brasil passava por um momento dos mais férteis. Hoje em dia, com o processo de banalização cultural estabelecido, é comum notarmos certa inversão dos valores.  

     Atualmente a arte funciona a serviço do mercado e não o oposto, como deveria ser. Hoje o artista bem sucedido é na maioria das vezes aquele que tem um olho (ou os dois) estrategicamente aberto para toda movimentação de capital no meio em que transita. Sempre antenado com o mercado, ele se torna refém de seu talento comercial, pois molda sua criatividade de acordo com as tendências de consumo do momento. Esse talento publicitário geralmente é endossado pela mídia (significativo alicerce desse processo). Nada mais natural, pois hoje em dia tudo em gira em torno do consumo.  

     Já o artista que fica à margem do grande empreendimento que é o showbusiness pode se considerar um verdadeiro marginal, dentro do mercado. Para não se render às fórmulas impostas pelo jogo financeiro, resta a ele o obstinado exercício de seu ofício como um militante da música, situação parecida com uma espécie de guerrilha cultural.  

     Voltando à questão inicial "o jazz é música de elite ?", curiosamente de um tempo para cá as classes economicamente mais favorecidas da população se renderam à música de baixa qualidade, muitas vezes denominada música do povo. É um rótulo que retrata bem a condição social, o ensino, a cultura negligenciada ao povo de um país com potencial tão grande. Tanto faz o estilo, brega-romântico-sertanejo-pagode-axé, as vezes tudo junto no mesmo saco. Nota-se que há uma fórmula básica, uma receita bem definida: melodias pobres, harmonias patéticas, letras péssimas (muito cuidado com qualquer coisa que possa parecer inteligente) e refrões pegajosos, para colar na boca do povo. Pronto, somando uma estratégica dosagem de carisma pessoal (coisa que independe de qualidade artística) do animador, o sucesso está garantido.  

     Observo porém um público alternativo, a procura de novas informações, novos conceitos, novos valores. Um público que percebe que a arte pode ser mais do que um produto, pode servir também para questionar e emocionar, fazendo com que as pessoas pensem e evoluam além de se divertirem. Com o passar do tempo, cada vez mais pessoas descobrirão que música não é como xampú, automóvel ou sabão em pó. Música deve ser mais do que um produto, apesar de todos os segmentos que regem o mercado estabelecerem o contrário.  

     Quanto a esse público ou essa elite, como preferirem, noto uma mudança expressiva no seu perfil. São pessoas geralmente de classe média ou baixa, o que para mim representa um avanço significativo nas platéias adeptas a uma proposta mais ousada de arte.  

     Concluo com a esperança de um dia haver maior espaço democrático não só para o jazz, mas para qualquer tipo de idioma musical de qualidade no país e no mundo. Sabemos que para isso é necessário trabalhar dobrado, incansavelmente.  

     Portanto, mãos à obra.  

Kiko Continentino, Junho de 2002  

Kiko é pianista, arranjador, compositor e produtor musical. Trabalha há seis anos com Milton Nascimento e vem se dedicando também a shows com seu primeiro CD instrumental "O Pulo do Gato", além do ContinenTrio, grupo que conta com a participação de seus irmãos Jorge e Alberto Continentino.  


Milton Avant Garde
Kiko Continentino

                                     

O TIM Valadares Jazz Festival, depois de dedicar a Tom Jobim, Noel Rosa, Miles Davis e John Coltrane as suas quatro primeiras edições, homenageou neste ano, o cantor e compositor Milton Nascimento. Os motivos da homenagem são vários. Bituca é uma marca que identifica Minas Gerais em qualquer lugar do mundo. Sua obra contribuiu muito para a história da MPB e para a divulgação da nossa música por toda parte. Neste ensaio de Kiko Continentino, especial para o Bebop *, escrito durante a última turnê européia de Milton, fica registrada a importância do nosso grande mestre e irmão de fé.

Tim Filho

Jornalista, organizador do TIM Valadares Jazz Festival e editor do Bebop *, jornal oficial do festival.
 
 

     Muito foi dito, muitos já escreveram sobre a força e a genialidade da obra de um brasileiro reconhecido nas múltiplas esquinas do planeta.  

     É flagrante em Milton Nascimento poderosas credenciais, conferidas não só a músicos com excepcional talento e originalidade, mas que também causaram impacto no mercado do show-business mundial, o que por si só representa um caso raro e gratificante de duplo êxito.  

     Assim como ele, talvez apenas Antônio Carlos Jobim, o precursor brasileiro desta empreitada, chegou tão longe em sua trajetória.  

     É impressionante o respeito conquistado por Milton diante de vasta platéia no Brasil e no exterior, incorporada por músicos, arranjadores, compositores, enfim, profissionais ligados estreitamente à música, caso deste pianista - dublê de ensaísta - que vos escreve.  

     Após seis anos de convivência profissional e musical com Milton "Bituca" Nascimento, meu objetivo nesse ensaio é apresentar uma perspectiva um pouco diferente de sua obra. Não posso deixar passar em branco um elemento que me trouxe definitivamente para o "Planeta Milton". Esse elo, para mim de extrema importância, é a modernidade que brota espontaneamente de sua veia musical.  

     Sou um músico intuitivo, de formação autodidata. Minhas primeiras referências foram o jazz e a bossa-nova, mas aos poucos, meus horizontes foram sendo ampliados com outras descobertas musicais. Foi assim com o jazz avant garde, evolução natural do jazz clássico, cujo desenvolvimento se deu à partir da segunda metade do século XX. Logo me identifiquei com a profundidade e ousadia que os artistas traziam em suas idéias musicais revolucionárias, muitas vezes esdrúxulas, estranhas para os ouvidos daquela (e desta) época.  

     Fiquei surpreso quando verifiquei na obra do Milton referências semelhantes às minhas, além de outras que, se tivesse conhecido, teria incorporado sem maiores problemas.  

     Em 1999, época do show "Crooner", comecei a elaborar uma pesquisa com os músicos da banda (da qual faço parte), além do próprio Bituca. Essa pesquisa se resumia a um papo com os músicos onde eu abordava as principais influências de cada componente entrevistado, seus discos favoritos, aqueles que marcaram e contribuíram definitivamente na formação de cada um. Daí surgiu um leque interessante.  

     Com Milton, me chamou a atenção indícios de seu caráter musical inovador, trazidos por uma síntese muito pessoal de referências tão diversas como o samba jazz do Tamba Trio, Sérgio Mendes, Meirelles e os Copa 5, Eumir Deodato e Moacir Santos. O jazz conceitual de Miles, Coltrane e Bill Evans em contraponto com o então recente fenômeno Beatles. As cantoras do radio, as divas do jazz e os sons regionais de raízes mineiras (ou até espanholas), além da obra de gênios definitivos como Jobim, Gershwin, Nat King Cole e Ray Charles.  

     Nessa ocasião me veio uma pergunta, justificável para alguém que se depara com imprevisível cocktail de informações tão importantes quanto díspares.  

     Como um artista intuitivo como o Milton, oriundo das entranhas de um país que muitas vezes negligencia sua própria cultura, fez para criar um som por demais inovador e original, ao ponto de obter incontestável reconhecimento mundial ?  

     Mesmo ciente que respostas dessa natureza não habitam no plano absoluto, fui tratando de montar meu quebra-cabeça.  

     Penso cada vez mais que a receita bem sucedida da música de Milton Nascimento está na diversidade dos temperos, na forma genial e irresponsável que o mestre-cuca mistura os ingredientes que vai conhecendo, usando critérios que, se ainda nao existiam, ele trata de inventá-los, sem demora.  

     Misteriosamente, a receita tão sofisticada torna-se saborosa, sem nunca se repetir.  

     Observando a maneira jazzística que Milton prepara seus manjares sonoros, não consigo evitar a relação com a culinária musical de gênios do quilate de Miles, Mingus, Monk, etc.  

     Com Wayne Shorter, Milton construiu uma ponte inusitada entre dois mundos inquietos, que ansiavam encontro com o novo. O disco "Native Dancer" (1974), onde Wayne convida Milton, mostra como a canção popular pode ser aliada à música experimental, sem prejuízo para ambas as partes.  

     É bem verdade que a música do Milton também deve ser compreendida como altamente experimental, na medida em que ousa fundir esses elementos à canção, coisa que ele já fazia de forma diferente de tudo o que havia sido feito até então.  

     Algumas passagens relatadas por Milton mostram a importância que ele atribui aos ícones do jazz moderno, toda a sua admiração pelos músicos formidáveis que logo lhe retribuíram a reverência prestada.  

     Estamos em 1967, Festival Internacional da Canção. Nesse ano, Milton começou a se destacar na cena musical. Para surpresa minha, Bituca lembra que um dos participantes do festival era nada mais nada menos do que Quincy Jones, o super maestro e produtor americano, que estava no Brasil defendendo uma composição sua, interpretada pela cantora Patty Austin.  

     Antes da realização do festival, também andava por aqui o pianista de jazz Herbie Hancock, admirado por 9 em cada 10 músicos do ramo. Ele estava passando sua lua-de-mel no Rio e foi convidado para uma festa na casa do compositor Marcos Vale. Milton também era um dos convidados. Depois dos insistentes pedidos para que cantasse algo, Bituca puxou sua belíssima "Tarde" e foi interrompido por Herbie, que correu até o carro e buscou um gravador. Quando retornou, Herbie pediu pro Bituca reiniciar e gravou a canção, levando-a para sua turma norte-americana conhecer.  

     Dois anos depois, o genial pianista participou de "Courage", segundo disco de Milton e uma verdadeira obra prima, gravado nos Estados Unidos. Iniciou-se assim, uma série de colaborações de Herbie nos discos de Milton, para sorte de todos.  

     Alguns anos mais tarde, Milton realizava num teatro do Rio a temporada do show "Clube da Esquina". Ele percebia diariamente na platéia a presença dos músicos do Weather Report, um dos mais importantes grupos precursores da fusão jazz-rock. Wayne Shorter, um dos líderes do conjunto, fascinado com a linguagem musical "torta" daquele cantor e compositor recém descoberto, alterava diariamente o horário do seu show (que acontecia simultaneamente ao do Milton) para poder conhecer melhor aquele som.  

     Além de cair nas graças dos músicos de jazz e do grande público com sua musica popular original, Milton é reconhecido por outros segmentos musicais. Nos anos 90, foi promovido pela Rede Globo um concurso, denominado "a melhor voz de todos os tempos". O prêmio foi concedido a Milton Nascimento e Elis Regina, sob o aval de maestros da música clássica, cantores de ópera, além de poetas, letristas e músicos de outras direções. O universo "miltoneano" é mesmo bem abrangente.  

     Se por um lado Milton conquistou o respeito e a admiração de músicos mundialmente prestigiados como Wayne Shorter e Herbie Hancock, sua carreira foi alicerçada por alguns dos mais expressivos músicos brasileiros, instrumentistas e compositores.  

     A maior parte deles, mineiros como Wagner Tiso, Nelson Ângelo, Nivaldo Ornelas, Toninho Horta e Paulo Braga, de quem falaremos mais adiante.  

     É importante citar também nomes como Luisinho Eça (do Tamba Trio) e Eumir Deodato, arranjadores dos dois primeiros discos de Milton, Luiz Alves e Robertinho Silva, uma das "cozinhas" mais quentes da música brasileira e o fantástico percussionista Naná Vasconcelos.  

     Mesmo sabendo que aqui vai assunto pra mais de um livro, vou me reportar aos idos de 1962, tempos que marcam o início da relação mais estreita de Milton com o Jazz.  

     Havia em Belo Horizonte uma turma de instrumentistas que cultuavam o jazz moderno, na época em sua fase plena e efervescente. Esses músicos se dedicavam a encontrar o caminho do straight ahead, forma de tocar o jazz com o sotaque de seus criadores. Eis aí uma tarefa difícil, mas não impossível para esse pessoal apaixonado e atrevido, incluindo o jovem baterista Paulo Braga, recém chegado do interior de Minas.  

     Logo que "aportou" em BH, Paulinho encontrou sua turma: o saxofonista Nivaldo Ornelas, os pianistas Helvius Vilela e Aécio Flávio, Mestre Dino do sax alto, os bateristas Pascoal Meirelles e Valtinho Batera, os baixistas Tibério e Paulinho Horta (irmão mais velho de Toninho), e por último, mas não menos importante, Chiquito Braga, guitarrista iluminado, improvisador e rei da harmona, que já sabia tudo.  

     Em reuniões na casa do Nivaldo, eles tocavam e ouviam Monk, Coltrane, Miles, Eric Dolphy, Max Roach e todos os frees da época, assim como também ouviam Debussy, Ravel, Wagner, etc.  

     Paulinho, Nivaldo, Jairinho (grande pianista que faleceu cedo) e o Tibério baixista formaram um grupo chamado Quarteto Contemporâneo. Eles tocavam sob a influencia fortíssima do quarteto de John Coltrane, numa sala da Radio Guarani, todas as tardes. Umas 5 horas totalmente free, mais ou menos como uns dois temas de umas duas horas cada. O pau comia solto, nêgo !  

     Por volta de 1965, liderados pelo Pascoal e o Helvius (um tio do Pascoal entrou com a grana), a turma fundou um clube de jazz chamado BERIMBAU, localizado no edifício Maleta, que havia sido inaugurado na época. Era como se fosse o santuário da rapaziada. Há quem pense que ali nasceu o movimento da música instrumental mineira.  

     Todas as noites, após tocarem nos bailes, os músicos iam para lá se deliciar e expressar o que vinha em suas jovens e criativas cabeças. Paulinho e Wagner Tiso contam que o Berimbau representou um importante laboratório de idéias e tendências musicais como o jazz mineiro e o free samba.  

     Aos sábados a tarde havia um programa na Rede Itacolomi, onde o quarteto tocava jazz e samba por uma hora, aproveitando para divulgar o clube Berimbau. Foi quando se deu o encontro de Milton e Wagner Tiso com a turma do jazz belorizontino, como conta Paulinho Braga a esse repórter:  

     "Numa destas tardes, ao chegarmos, ouvimos um som diferente e quando vimos, havia um piano no corredor e lá estava o Wagner e o Bituca com um violão na mão, mais uma rapaziada que não me lembro o nome. Eles estavam tocando uma coisa diferente, que agradou a todos. Bom, fizemos aquela amizade de quem encontra uma turma e, papo vai papo vem, os convidamos pra ir ao Berimbau à noite. Assim tudo começou.  

     Penso que Milton e o Wagner não conheciam o jazz. De fato nem o tocavam, apesar do Bituca cantar alguns standards norte-americanos como "Stella by Starlight", "Summertime" e "My Funny Valentine". Sempre calado e atento, ele tocava um violão muito interessante, mas não era improvisador, por questões mais técnicas do que qualquer coisa, né?  

     O Tiso também não tinha muita intimidade no straight ahead, mas a musicalidade dos dois sempre foi latente. Eles começaram a frequentar a casa do Nivaldo, onde nos reuníamos para ouvir jazz e clássico. Acho que isto mudou a vida do Bituca. Quando ele ouviu Miles Davis com Gil Evans, Coltrane e os clássicos, através de sua cabeça iluminada, estas influências começaram a ser digeridas e a entrar nas suas composições, que já estavam a caminho.  

     Então resolvemos, eu ele e o Wagner, montar um grupo que viria a se chamar Berimbau Trio. Começamos a pensar num baixista que se enquadrasse nas nossa idéias, diferente dos trios da época, mas não achávamos nenhum que nos agradasse. Surgiu então a idéia do Bituca começar a tocar baixo acústico." (nesse ponto, Milton me faz um adendo revelador: "Foi o Wagner quem me obrigou a tocar esse instrumento")  

     Prosseguindo o relato do Braga:  

     "Mas ele não tinha baixo e nunca tinha tocado antes. Fomos ao Ildeu, baixista que lhe emprestou um instrumento e lhe deu uma aula. Em três meses, Bituca já tocava tanto ou mais que os melhores baixistas da cidade, nas palavras do próprio Paulinho Horta, em confidências conosco.  

     Este trio era totalmente diferente dos trios da época. Fazíamos vocais, eu, Wagner e Bituca. Não havia muita improvisação, era tudo diferente e já tínhamos personalidade. Usávamos muitos rifes e tocávamos com a dinâmica totalmente solta. Também não apelávamos com desdobramento dos andamentos e mudanças de tons.  

     Em BH, era o Berimbau e mais o Tempo Trio, do Pascoal, Helvius Vilela e Paulinho Horta. Acho que eles agradavam mais, porém nós éramos divinos. Quando tocávamos, todos os músicos paravam de falar para escutar a gente (pretensão à parte).  

     Bituca, sempre com sua maneira peculiar de falar, dizia: "Outros trios jamais trilharão os trilhos que trilha o Berimbau Trio", numa alusão marota ao Tempo Trio, nossos "arqui-inimigos"..."  

     No livro "Os Sonhos Não Envelhecem", belíssimo relato do parceiro mais antigo e talvez o mais "Milton" (no sentido libertário e insano) de todos, Márcio Borges apresenta um testemunho romântico do movimento "Clube da Esquina", do qual foi um dos principais protagonistas, além de revelar uma radiografia da obra de Milton Nascimento, o elemento central e catalisador do movimento.  

     Márcio conta sua história do ponto de vista de um poeta (de alma cheia), escritor e homem das letras, outra fascinante galáxia que compõe (e completa) o universo "bituqueano".  

     Neste artigo, esboço uma tentativa de explorar tal universo através da ótica musical, o que faço sem o tempo e o espaço necessários. Confiei meus vagos instintos literários à uma percepção de músico de jazz, sempre a vontade para, improvisadamente, desbravar novos caminhos.  

     Entretanto, gostaria de me aprofundar mais na pesquisa, para mim de grande interesse. Penso prosseguir entrevistando pessoas e coletando depoimentos envolventes como o do Paulo Braga, que aqui transcrevi praticamente na íntegra. Quero mergulhar fundo nas impressões dessa turma tão singular que são os músicos (poetas do som) e os letristas (músicos da palavra) que traçaram essa órbita na história da canção dos anos 60 e 70.  

     Quem sabe não pode ser esse o ponto de partida para uma viagem musical instigante...  

     Kiko Continentino - Agosto de 2003  

     Kiko Continentino é pianista, tecladista e compositor. Integrante da banda de Milton Nascimento e seu parceiro em composições de "Pietá", novo CD de Milton, Kiko é reconhecido por grandes nomes da MPB, atuando como instrumentista, arranjador e produtor musical. Vem se dedicando também a shows com seu primeiro CD instrumental "O Pulo do Gato", além do ContinenTrio, grupo que conta com a participação de seus irmãos Jorge e Alberto Continentino. O grupo está lançando seu primeiro disco, com textos de contracapa de Milton Nascimento e Chico Amaral.  

ENTREVISTAS

NOTÍCIAS

BALAIO 1550

A CANÇÃO BRASILEIRA

                     

    Rio, 13 / 10 / 2003 [2a edição]
    Editor: Moacy Cirne

    Blog do Moacy Cirne ( Balaio Vermelho )

    A CANÇÃO BRASILEIRA:

    ALGUNS TÍTULOS DE NOSSA ESPECIAL ADMIRAÇÃO

    1. Jura (Sinhô)
    2. Pra você gostar de mim (Joubert de Carvalho)
    3. Com que roupa (Noel Rosa)
    4. Maringá (Joubert de Carvalho)
    5. Feitio de oração (Noel Rosa & Vadico) e Três apitos (Noel Rosa)
    6. O orvalho vem caindo (Noel Rosa & Kid Pepe)
    7. Feitiço da Vila (Noel Rosa & Vadico)
    8. No tabuleiro da baiana (Ary Barroso)
    9. Carinhoso (Pixinguinha & João de Barro) e Rosa (Pixinguinha & Otávio de Souza)
    10. Nada além (Custódio Mesquita & Mário Lago)
    11. Da cor do pecado (Bororó)
    12. O samba de minha terra (Dorival Caymmi)
    13. A jangada voltou só (Dorival Caymmi)
    14. Praça onze (Herivelto Martins & Grande Otelo)
    15. Se é pecado (Herivelto Martins)
    16. Atire a primeira pedra (Ataulfo Alves & Mário Lago)
    17. Maria Betânia (Capiba)
    18. Baião (Luiz Gonzaga & Humberto Teixeira)
    19. Asa branca (Luiz Gonzaga & Humberto Teixeira)
    20. Esses moços (Lupicínio Rodrigues)
    21. Brasileirinho (Valdir Azevedo)
    22. Assum preto (Luiz Gonzaga & Humberto Teixeira)
    23. Delicado (Valdir Azevedo)
    24. Kalu (Humberto Teixeira)
    25. Risque (Ari Barroso)
    26. Teresa da praia (Tom Jobim & Billy Blanco)
    27. Saudosa maloca (Adorinan Barbosa)
    28. A voz do morro (Zé Kéti)
    29. A flor e o espinho (Nelson Cavaquinho, Guilherme de Brito & Alcides Caminha)
    30. Chega de saudade (Tom Jobim & Vinícius de Moraes)
    31. Manhã de carnaval (Luís Bonfá & Antônio Maria)
    32. Zelão (Sérgio Ricardo)
    33. Insensatez (Tom Jobim & Vinícius de Moraes)
    34. Lamento (Pixinguinha & Vinícius de Moraes)
    35. Samba em prelúdio (Baden Powell & Vinícius de Moraes)
    36. Nanã (Moacir Santos & Mário Teles)
    37. Arrastão (Edu Lobo & V. Moraes)
    38. Louvação (Gilberto Gil & Torquato Neto)
    39. Ponteio (Edu Lobo & Capinan)
    40. Alvorada (Cartola, Carlos Cachaça & Hermínio Bello de Carvalho)
    41. Sinal fechado (Paulinho da Viola)
    42. Foi um rio que passou em minha vida (Paulinho da Viola)
    43. Construção (Chico Buarque)
    44. Águas de março (Tom Jobim)
    45. Só quero um xodó (Dominguinhos & Anastácia)
    46. Canta, canta minha gente (Martinho da Vila)
    47. Ponta de areia (Milton Nascimento & Fernando Brant)
    48. As rosas não falam (Cartola)
    49. Começaria tudo outra vez (Gonzaguinha)
    50. Sampa (Caetano Veloso)
    51. O bêbado e a equilibrista (João Bosco & Aldir Blanc)
    52. Feira de mangaio (Sivuca & Glorinha Gadelha)
    53. Eternas ondas (Zé Ramalho)
    54. Tropicana (Alceu Valença & Vicente Barreto)
    55. Coração de estudante (Milton Nascimento & Wagner Tiso)
    56. Podres poderes (Caetano Veloso)

    OUTROS TÍTULOS ESPECIAIS

    1. Serra da Boa Esperança (L Babo) e Chão de estrelas (Barbosa & Caldas)
    2. Se acaso você chegasse (Lupicínio Rodrigues & Felisberto Martins)
    3. Suburbana (Orestes Barbosa & Sílvio Caldas)
    4. Acertei no milhar (Wilson Batista & Geraldo Pereira)
    5. Aurora (Mário Lago & Roberto Roberti)
    6. Rosa morena (Dorival Caymmi)
    7. Laurindo (Herivelto Martins)
    8. Falsa baiana (Geraldo Pereira)
    9. Doralice (Dorival Caymmi & Antônio Almeida)
    10. Sonoroso (K-Ximbinho & Del Loro)
    11. Nervos de aço (Lupicínio Rodrigues)
    12. Saudade de Itapoã (Dorival Caymmi)
    13. Légua tirana (Luiz Gonzaga & Humberto Teixeira)
    14. Antonico (Ismael Silva)
    15. Vingança (Lupicínio Rodrigues)
    16. Alguém como tu (José Maria de Abreu & Jair Amorim)
    17. Sebastiana (Rosil Cavalcanti)
    18. A fonte secou (Monsueto, Raul Moreno & Marcléo)
    19. Mora na filosofia (Monsueto & Arnaldo Passos)
    20. Mulata assanhada (Ataulfo Alves)
    21. Evocação (Nelson Ferreira)
    22. Eu sei que vou te amar (Tom Jobim & Vinícius de Moraes)
    23. A felicidade (Tom Jobim & Vinicius de Moraes)
    24. Alguém me disse (Evaldo Gouveia & Jair Amorim)
    25. Quem quiser encontrar o amor (Carlos Lira & Geraldo Vandré)
    26. A mesma rosa amarela (Capiba & Carlos Pena Filho)
    27. Marcha de quarta-feira de cinzas (Carlos Lira & Vinícius de Moraes)
    28. Berimbau (Baden Powell & Vinícius de Moraes)
    29. Carcará (João do Vale & José Cândido)
    30. Disparada (Téo de Barros & Geraldo Vandré)
    31. Travessia (Milton Nascimento & Fernando Brant)
    32. Sei lá Mangueira (Paulinho da Viola & Hermínio Bello de Carvalho)
    33. Atrás do trio elétrico (Caetano Veloso)
    34. Gente humilde (Garoto, Chico Buarque & Vinícius de Moraes)
    35. Detalhes (Roberto Carlos & Erasmo Carlos)
    36. Expresso 2222 (Gilberto Gil)
    37. Folhas secas (Nelson Cavaquinho & Guilherme de Brito)
    38. Maracatu atômico (Jorge Mautner & Nelson Jacobina)
    39. O mar serenou (Candeia)
    40. O mundo é um moinho (Cartola)

     

    E MAIS:

    1. Castigo (Dolores Duran)
    2. A noite do meu bem (Dolores Duran & Tito Madi)
    3. Por quem sonha Ana Maria (Juca Chaves)
    4. A lua é dos namorados (Klecius Caldas, Armando Cavalcanti & Brasinha)
    5. Na cadência do samba (Ataulfo Alves & Paulo Gesta)
    6. Mas que nada (Jorge Ben)
    7. Diz que fui por aí (Zé Kéti & Hortênsio Rocha)
    8. Opinião (Zé Kéti)
    9. Canto de Ossanha (Baden Powell & Vinícius de Moraes)
    10. Ronda (Paulo Vanzolini)
    11. Tropicália (Caetano Veloso)
    12. Charles, Anjo 45 (Jorge Ben)
    13. Bandeira branca (Max Nunes & Laércio Alves)
    14. Cotidiano (Chico Buarque)
    15. Pérola negra (Luiz Melodia)
    16. O violeiro (Elomar)

    & & &

    1. Esse mundo é meu (Sérgio Ricardo & Ruy Guerra)
    1. Luz negra (Nelson Cavaquinho & Amâncio Cardoso)
    2. Preciso aprender a ser só (Marcos Vale & Paulo Sérgio Vale)
    3. Procissão (Gilberto Gil)
    4. Máscara negra (Zé Kéti & H. Pereira Matos) e Domingo no parque (G. Gil)
    5. Viola enluarada (Marcos Vale & Paulo Sérgio Vale)
    6. As curvas da estrada de Santos (Roberto Carlos & Erasmo Carlos)
    7. Azul da cor do mar (Tim Maia)
    8. Tarde em Itapoã (Toquinho & Vinícius de Moraes)
    9. Acontece (Cartola)
    10. Ouro de tolo (Raul Seixas)
    11. Abre alas (Ivan Lins & Vítor Martins)
    12. Refazenda (Gilberto Gil)
    13. Apenas um rapaz latino-americano (Belchior)
    14. Flor de Lis (Djavan)
    15. Maria, Maria (Milton Nascimento & Fernando Brant)
    16. Gostoso veneno (Wilson Moreira & Nei Lopes)
    17. Admirável gado novo (Zé Ramalho)

     

    TEM MAIS? TEM, SIM SENHOR(A):

    1. Gosto que me enrosco (Sinhô)
    2. Na Pavuna (Homero Dornelas & Almirante)
    3. Tico-tico no fubá (Z. de Abreu) e No rancho fundo (A. Barroso & L. Babo)
    4. Tristezas não pagam dívidas (Ismael Silva)
    5. Arrasta a sandália (Aurélio Gomes & Osvaldo Vasques)
    6. Cidade maravilhosa (André Luiz)
    7. Rasguei a minha fantasia (Lamartine Babo)
    8. Palpite infeliz (Noel Rosa)
    9. Lábios que beijei (J. Cascata & Leonel Azevedo)
    10. Pastorinhas (João de Barro & Noel Rosa) e Camisa listrada (Assis Valente)
    11. Aquarela do Brasil (Ari Barroso)
    12. Dama das Camélias (João de Barro & Alcir Pires Vermelho)
    13. O bonde de São Januário (Wilson Batista & Ataulfo Alves)
    14. Ai, que saudades da Amélia (Ataulfo Alves & Mário Lago)
    15. Cinco horas da manhã (Ari Barroso)
    16. Murmurando (Fon-Fon & Mário Rossi)
    17. Isaura (Herivelto Martins & Roberto Roberti)
    18. Copacabana (João de Barro & Alberto Ribeiro)
    19. Ingênuo (Pixinguinha & Benedito Lacerda) e Anda Luzia (João de Barro)
    20. É com esse que eu vou (Pedro Caetano)
    21. Mangaratiba (Luiz Gonzaga & Humberto Teixeira)
    22. Pé de manacá (Hervê Cordovil & Marisa Coelho)
    23. Pedacinhos do céu (Valdir Azevedo)
    24. Lata d’água (Luís Antônio & Jota Júnior) e Nunca (L. Rodrigues)
    25. A camisola do dia (Herivelto Martins & David Nasser)
    26. Um a um (Edgar Ferreira)
    27. Samba do Arnesto (Adorinan Barbosa & Alocin)
    28. Conceição (Dunga & Jair Amorim)
    29. Vai com jeito (João de Barro)
    30. Madureira chorou (Carvalhinho & Júlio Monteiro)
    31. Desafinado (Tom Jobim & Newton Mendonça)
    32. Corcovado (Tom Jobim)
    33. Fica comigo esta noite (Adelino Moreira & Nelson Gonçalves)
    34. Volta por cima (Paulo Vanzolini)
    35. Garota de Ipanema (Jobim & Moraes)
    36. O sol nascerá (Cartola & Elton Medeiros)
    37. Pedro Pedreiro (Chico Buarque)
    38. Olê olá (Chico Buarque)
    39. Alegria alegria (Caetano Veloso) e Noite dos mascarados (Chico Buarque)
    40. Geléia geral (Gilberto Gil & Torquato Neto) e Parque industrial (Tom Zé)
    41. Sentinela (Milton Nascimento & Fernando Brant)
    42. Apesar de você (Chico Buarque)
    43. Você abusou (Antônio Carlos & Jocafi)
    44. Mucuripe (Fagner & Belchior)
    45. PARA COMPLETAR, PROVISORIAMENTE:

      1972 Vapor barato (Jards Macalé & Waly

      Salomão)

    46. Não existe pecado ao sul do Equador (Chico Buarque & Ruy Guerra)
    47. Quantas lágrimas (Manacéa)
    48. Vai levando (Caetano Veloso & Chico Buarque)
    49. Meu caro amigo (Chico Buarque & Francis Hime)
    50. Liberdade (Dona Ivone Lara & Délcio Carvalho)
    51. Coração leviano (Paulinho da Viola)
    52. Sonho meu (Dona Ivone Lara & Délcio Carvalho)
    53. Mania de você (Rita Lee & Roberto Carvalho)
    54. Luiza (Tom Jobim)
    55. Festa do interior (Moraes Moreira & Abel Silva)
    56. Ai que saudade de ocê (Vital Farias)
    57. O quereres (Caetano Veloso)
    58. De volta pro aconchego (Dominguinhos & Nando Cordel)
    59. Fogo de saudade (Sombrinha & Adilson Vítor)
    60. Que país é este (Renato Russo)
    61. Ideologia (Roberto Frejat & Cazuza)
    62. Ilha morena (Geraldo Azevedo & Carlos Fernando)
    63. Vida bandida (B. Vilhena & Lobão)
    64. Eu sei (Marisa Monte)
    65. Agoniza mas não morre (Nelson Sargento)
    66. Mas quem disse que eu te esqueço (Dona Ivone Lara & H. B. de Carvalho)
    67. O céu (Nando Reis & Marisa Monte)
    68. Coração em desalinho (Monarco & Zeca Pagodinho)
    69. Timoneiro (Paulinho da Viola & Hermínio Bello de Carvalho)

Forum Carioca de Música
http://br.groups.yahoo.com/group/forum_musical/
Coordenação Cristina Saraiva
www.cristinasaraiva.com
E-mail: coordenacao.forum@terra.com.br

Site ALÔ MÚSICA
http://www.alomusica.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=241
O site do universo musical brasileiro, divulga na seção " Agendas" os eventos musicais brasileiros no exterior.
E-mail: alomusica@alomusica.com.br

GRUPOS DE DISCUSSÃO

História da Musica
http://br.groups.yahoo.com/group/historiadamusica
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PORTUGAL

At-tambur
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