Poemas contidos em Magma (1977-1982)

 


 

                 

ROTA


                   
 
Que arda em nós
Tudo quanto arde
E que nos tarde a tarde.

 




VIDA II

                   
 
Quase não falo e do mundo
não quero nada do mundo;
só um aceno, alguma espiga
e apenas esta pênsil
adaga nua
que se dilata
em aéreos jardins de espuma
sitiandoa forma viva.

 




ÁRIA


                   
 
O que havia era a fúria no toque,
nos corpos um elo desconhecido,
arquetípico e anterior.

Desejo que se faz magma nas entranhas
como os igarapés que de repente em convulsões
de fúria deflagrada de assalto nos tomassem.

Palavras não nos faziam falta,
palavras para nós dois eram demais
se em ti findam meus itinerários.

A eternidade do intante é que é minha bandeira
afeita ao pastoreio da minha solidão
e voando para a morte é que eu estava viva.

Teu rosto e corpo a que me acostumo lento
mais é belo desenho do que corpo e rosto.
sou caça sim mas também caçador solitário,

E o mato cresceu ao redor, ao redor, ao redor.