
A primeira vez que vi Betho
Borges em ação, ele homenageava Elis Regina (de quem
fora tiete e amigo) num 17 de março - aniversário da
estrela. Daí a ter um poema num de seus shows não
demorou quase nada.
Betho é cantor de voz
potente e maviosa, é poeta, de escrever a sensibilidade
humana em notas musicais, e produtor cultural, que cria
eventos, cruzando músicos, poetas, atores e
compositores num projeto que cresce e amadurece mudando
de tempo e lugar, como quem abraça a vida com talento e ombridade.
Amélia Alves
1 - Sendo
pessoa de múltipla sensibilidade, quando e como você se
resolveu pela música
ou pela poesia?
Betho: A música e a poesia fazem
parte da minha vida desde os tempos de criança,
influenciados por meus pais e alguns professores do Grupo
Escolar Dr. Teófilo de Andrade, em São João da Boa
Vista, interior do Estado de São Paulo.
2 - Faz tempo que seu
projeto vem ganhando espaço e até adeptos nesta cidade
de São Sebastião do Rio de Janeiro. Nesta trajetória,
há o que destacar?
Betho: No projeto A
música e a poesia tem de estar em toda parte,
destaco entre alguns pontos positivos, além do prazer e
honra de ter tido oportunidade de conhecer pessoas
interessantes e competentes, o intercâmbio entre
os poetas e o público.
3 - Eu falei
de música e poesia, mas
quase ía me esquecendo de seus dotes
teatrais e de que , na sua experiência de
vida, nunca faltou um palco. Como é
que você introduziu atores
neste trabalho?
Betho: O teatro sempre fez parte da
minha vida. Já vivendo aqui no Rio de Janeiro, tive o
hábito de frequentar o teatro, mais uma vez
influenciado por familiares e professores do internato -
Colégio Pedro II. Vi, ainda jovem, atores do nível de
Cacilda Becker, Procópio Ferreira, Paulo Autran,
Fernanda Montenegro, entre outros. Fiz também, ainda
adolescente, cursos de teatro com Rubens Corrêa, Ivan
Albuquerque, Fauzi Arapi, Luís de Lima
etc.
Os atores
que participam do projeto - Juliana Terra,
Diogo Borges, Sayonara Lemos, Mário Negócio e Miriam
Rezende, são alunos da CAL Casa de Artes de
Laranjeiras.
4 - Na escolha
do texto você tem
critério determinado ? Os poetas
participam disto? Como?
Betho: Iniciei o projeto convidando
alguns amigos poetas. Os primeiros foram Amélia Alves,
Maria Thereza Noronha, Jamil Damous e Júlio César de
Oliveira. À medida que os eventos foram
acontecendo, apareceram outros poetas como: Luís Sérgio dos Santos, Paulo Lima, Gilson Maurity, Jorge Ventura,
Paurilo Barroso, Valéria Balbino, Juju Campbell Penna,
entre outros.
Na realidade, a
participação dos poetas no projeto é somente a
apresentação das poesias. Os textos todos são de minha
escolha, bem como o repertório musical.
Estou
pretendendo para as futuras apresentações
espetáculos em que haja uma integração nas
poesias e nas músicas de todos os participantes,
inclusive os músicos fazendo pequenas atuações nos
textos .
5 -
Você
junta num mesmo show poetas
conhecidos e consagrados como Vinicius
de Morais, Afonso Romano de SantAnna,
Carlos Drummond de Andrade, João
Cabral de Mello Neto e
outros. É intencional? Ou o que
fala mais alto é a
qualidade do texto e sua
adequação ao roteiro?
Betho: Os poetas apresentados neste
projeto, de um modo geral, são poetas premiados em
concursos literários no Rio de Janeiro e
outras partes do Brasil, sendo que alguns deles com
premiações no exterior. Todos com livros
publicados.
6 - Nós todos
sabemos como é difícil
caminhar neste caminho que você
traçou, mas, o trabalho na
orla da Lagoa (Quiosque Rio Árabe), no Vinicius Piano
Bar e no Fluminense Futebol Clube nos faz ver que há
muito chão pela frente. Você acha que o sucesso depende
disso ou o seu caminho é outro? O disco, por exemplo.
Já pensou num CD de música e poesia?
Betho: O trabalho de música e poesia vem crescendo e
acredito que a tendência é cada vez mais o seu
desenvolvimento. Meu caminho primeiro é a música, onde
venho me aprimorando como cantor, esperando no
próximo ano gravar o meu primeiro cd.