
Conheci
Cristina Mayrink quando fui entrevistada para o Jornal do Professor da TV Manchete, pelo trabalho que realizava no Centro de Tecnologias
Educacionais da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro,
o projeto Uso
dos Meios de Comunicação Social na Escola, em que trabalhava a
leitura crítica da mídia na educação e a interatividade em
propostas pedagógicas com rádio e televisão. Ela era a
repórter atenta que vinha me fazer perguntas
inteligentes. Eu, a educadora ávida pela transformação do mundo.
Agora, mudando
circunstancialmente de posições eu, entrevistadora e
poeta, me defronto com a atriz que encena poesia em palco aberto pra
vida, de onde vou lançando minhas perguntas.
Amélia Alves
1 - Cristina, a expressividade do texto, sua velha conhecida, te
leva à poesia. Por que caminhos?
Cristina: Pelo caminho da língua ,
que é mistério e chave.Na minha trajetória, essa
abertura se deu com o jornalismo como você tão bem
destacou, quando fui entrevistá-la , mas o enigma me
lançou em direção aos textos dramáticos ,
possibilitando que o meu desejo me conduzisse a ser atriz
.
2 - Seu
projeto de vida inclui mais do que interpretar textos
poéticos ou essa é a sua forma de também fazer
poesia?
Cristina: Meu projeto de vida se
baseia em deslocamentos,em buscas, em sempre abrir
caminhos através da arte que é o que me interessa. Eu
sou uma e, portanto, minha relação é com a língua em
todas as suas formas de manifestação artística. Eu já
atuei no teatro em textos de Nelson Rodrigues, Bertolt
Brecht, Jacinto Benavente, Jean Genet; já apresentei na
televisão programas onde narrei a história da arte, das
religiões, já fiz novelas e, nesse momento, produzi e
atuei no espetáculo Esta Língua será da alma para
a alma, onde o texto é a poesia.
3 - Há muito que dizer
por aí, a palavra dos poetas na sua boca. Quando
começou isso? Que poetas te inspiraram ? Quais poemas
você encena e que textos te encarnam?
Cristina: De
fato, fui capturada pelas vozes inquietas desses
poetas maravilhosos que são Alberto Pucheu, Sérgio Nazar David, Antônio
Cícero, Caio Meira e Heitor Ferraz .
Anteriormente, já havia participado de algumas leituras
de poesias, ma , o que me motivou a criar o espetáculo Esta
língua será da alma para a alma foi o
desejo que tive de ouvir, de escutar minha voz através
dos arranjos das palavras instigantes criadas por eles .
4 - Fale um
pouco de seus poetas favoritos e da opção pela poesia,
em sendo hoje atriz?
Cristina: Eu me identifiquei
completamente com a escrita de Alberto Pucheu, Antônio
Cícero, Caio Meira, Sérgio Nazar David e Heitor Ferraz.
Eles têm um estilo tão próprio e particular de
construir o texto que me interessa muito, pois,
é o que procuro no meu trabalho de atriz
ser uma atriz autoral, criadora e não uma repetidora de
formas e efeitos. Eu sempre fui levada pela tentação da
linguagem . Portanto ...