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Alcides Buss nasceu no município de Salete (SC), em 1948.  No ano seguinte, mudou-se para Trombudo Central, e, em 1955, para Medianeira, oeste paranaense, onde iniciou seus estudos. 
    
Em 1961, Alcides partiu sozinho para a cidade de Taió para cumprir o destino traçado principalmente pela família: ser padre.  No seminário, tira proveito de sua altura para destacar-se como goleiro da turma e de sua já inquieta criatividade para desenhar. No rabiscar do lápis sobre o papel, descobriu o gosto pela poesia.  
    
Certamente não era para ser padre que Alcides Buss veio ao mundo.  Deixando o seminário em 1963, completou o ginásio em Cascavel (PR).  Em 1967, mudou-se para Joinville, onde continuou seus estudos.  No ano seguinte, cumpriu serviço militar, período em que produziu dezenas de poemas, que mais tarde queimaria.  A destruição de seus primeiros escritos, feita “não sem alguma cerimônia” pelo autor, representava uma decisão significativa, que iria caracterizar um poeta cada vez mais exigente em relação à qualidade de seu trabalho.
     Em 1969, ingressou na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Joinville. Iniciando sua trajetória de agitador cultural, edita o jornal O Acadêmico, o suplemento D.A. Cultural, do Jornal de Joinville, e assina a coluna de Santa Catarina do Jornal de Letras, do Rio de Janeiro. Em 1970, publica seu primeiro livro de poemas, Círculo Quadrado.

     Durante a década de 70, atuando como diretor de cultura da Prefeitura
de Joinville (SC), promove um trabalho de resgate da cultura popular e de popularização das artes em geral, que ficou conhecido em todo o Brasil. Nesse processo, concertos, recitais eruditos e espetáculos de dança passaram a ser levados a lugares tais como praças públicas e igrejas. Exposições artísticas circulavam, de forma itinerante, nos bairros da cidade. E a literatura, especialmente a poesia, foi às ruas através de varais literários.
    
São marcos da época de Joinville, a criação da, hoje tradicional, Feira de Arte e Artesanato, a implantação do Museu de Arte, a realização de concursos de jardins nas residências e fábricas e a instalação da Escola de Dança, semente do que se transformou no maior festival de dança da América Latina.
     A partir de 1976, edita a revista Cordão, em conjunto com outros escritores joinvilenses.
    
Em 1978, com o objetivo de difundir a poesia, lança o “Projeto Alçapão – armadilha para o ser cair em si”, composto basicamente de “sanfonas poéticas”.

    
Em 1980, transfere-se com a família para Florianópolis, para lecionar na Universidade Federal de Santa Catarina -UFSC, onde é 
  professor de Teoria Literatura.  Na universidade, retoma a experiência dos varais literários, iniciada na década de 70 em Joinville, criando uma das primeiras oficinas literárias do Brasil. Durante anos, as oficinas promoveram a renovação literária, abrindo espaço também para o desenvolvimento de outras artes, como o cinema. Os varais literários se intensificaram e foram alcançando, aos poucos, outras cidades e estados brasileiros.
    
Em 1982, leva o Varal Literário a São Paulo, onde recebe divulgação nacional.  A experiência ainda lhe rende a publicação, em 1983, da Antologia do Varal Literário, com textos selecionados pelo próprio público.
    
Com o livro Pessoa que finge a dor, lança em 1985 o Movimento de Ação do Livro, através do qual, parte de uma tiragem era destinada à circulação livre e popular. De mão em mão, o livro procurava o seu leitor, podendo chegar a expressivo número de pessoas, nos mais distantes lugares. No ano seguinte, foi indicado para o Conselho Editorial da Editora da UFSC, onde coordenou a coleção “Ipsis Litteris”, destinada à criação literária. 
    
Em 1988, assume a chefia do Departamento de Língua e Literatura Vernáculas do Centro de Comunicação e Expressão da UFSC.

     Em 1990, recebe o prêmio “Revelação” da Associação Paulista de Críticos de Arte, pelo livro A Poesia do ABC.  Nesse mesmo ano, participa da coletânea Poetas Contemporâneos Brasileiros, da editora gaúcha Garatuja.  A partir de 1991, assume a diretoria executiva da Editora da UFSC. 
    
Eleito em 1993 presidente da Associação Brasileira das Editoras Universitárias, para um mandato de dois anos, empenhou-se no fortalecimento da instituição, garantindo a participação das edições universitárias em todos os eventos nacionais e internacionais mais importantes. Seu objetivo maior, no entanto, era a formação de uma rede nacional para distribuição e comercialização das edições acadêmicas, que abrange atualmente cerca de oitenta livrarias.

     Em 1995, recebeu da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro a medalha de mérito cultural “Caio Prado Júnior” ; em 1997, a medalha “Manuel Bandeira”, pelo conjunto da obra, e,  em 1998, a Medalha Odilon Lunardelli de Mérito Livreiro.

    
No período 1997-1999, presidiu a União Brasileira de Escritores de Santa Catarina. Foi finalista do Prêmio Jabuti 2000 com o livro Cinza de Fênix & três elegias (Editora Insular, 1999). Recentemente lançou, através da Editora Cuca Fresca, o livro de poemas infantis Pomar de palavras. 

                           










Alcides Buss com José Saramago
           Florianópolis, 1999

Leia sobre Cinza de Fênix & três elegias na seção LANÇAMENTOS.
Conjuntode obra e prêmios