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Amélia Alves
Amélia
Maria de Almeida Alves, primogênita de sete filhos
de Juvelino de Assumpção Alves, músico e alfaiate
baiano de Ituberá e Maria do Carmo de Almeida Alves,
professora primária fluminense de Campos dos Goytacazes,
nasceu na terra de sua mãe, mas passou parte da
infância em outros lugares: Parati, São Fidélis e Cardoso Moreira .
Em Campos, chegou aos dez anos para cursar o ginásio no
Liceu de Humanidades. Aos quatorze, ia, ao mesmo tempo,
para a Escola Normal e para o Curso Clássico, início da
viagem pelo caminho da literatura - os primeiros poemas
surgindo dentro da sala de aula, na aluna e na já então
professora adolescente de uma escolinha primária de zona
rural muito parecida com aquela em que sua mãe
descobrira que já sabia ler sem ter freqüentado a
classe de alfabetização.
Na
Faculdade de Filosofia de Campos, graduou-se em Letras, depois de deixar o curso
de Jornalismo pela metade. A opção pela Literatura foi mais forte.
Ainda estudante universitária, venceu com
Elizabeth Flach, amiga e também poeta, o concurso
de ensaios em comemoração ao Centenário de Castro
Alves, promovido pelo Departamento de Difusão Cultural
da Prefeitura Municipal de Campos. Nesta época,
participava como letrista de canções em festivais de
música popular, ao mesmo tempo em que seus primeiros
poemas eram publicados na revista Momento Literário, editada por tal departamento.
A partir de então, passou a colaborar em jornais locais,
com espaço semanal na coluna literária de A
Notícia, que publicaria em primeira
página o ensaio premiado Castro Alves,
o poeta da fraternidade, convivendo
intensamente com outros poetas Osório
Peixoto Silva, Joel Mello, Luís Sérgio Santos, Prata
Tavares e Elizabeth Flach, com os quais fundaria o Grupo Uni-Verso.
Pelo Grupo Uni-Verso, publicou Vácuo e
Paisagem ( poesia e prosa poética), lançado
em 1978 no Teatro de Bolso de Campos e no IPCN ( Instituto de Pesquisas das Culturas Negras), no Rio de
Janeiro, com a presença de críticos literários,
jornalistas e poetas, que o acolheram com a dignidade que
o esforço de sua edição lhe exigira. Sobre o livro,
assim se manifestava na primeira página do suplemento
cultural da Folha da Manhã:
Vácuo e Paisagem é
resultante de uma série de caminhos diversificados e
um começo / re-começado/ de sensações/ e
sente-sentimentos... num tempo (dez
anos) de tentativas, com a palavra a serviço da
emoção, todo um trajeto de influências, que vão
de Rimbaud à poesia concreta, tendendo para a poesia
visual - o uso dos termos cheirando à plasticidade,
como se fosse cada poema parte de um quadro só, e ao
mesmo tempo a música dolente de um tempo de
redenção. [ ...] O que encorpa a estrutura do
livro é a compensação das palavras ora fluidas e
leves, contrastando com a ironia dissimulada das
temáticas abordadas em cada texto. [...] A palavra
é, então, o instrumento de se fazer o desenho ou o
bordado ou a caricatura, [...] no máximo de
espaço-em- branco. Daí [...] a busca pela
espontaneidade dos elementos funcionando como desafio
constante num livro que se faz simples , sem
prefácios, posfácios, índices ou comentários
extensos, que se apresenta e se explica por si só,
palavra por palavra. [ ...] E como em fio, o livro
surge e se planta assistemático, sem
perspectivas de cronologia, varando tudo,
espaço e momento:
E vou me alimentando de estranhas circunstâncias
novas, com essas intenções de fuga a que me sinto
lançada por questão de carências, por flores que
só olhos semeiam. Eu tenho as chaves de abrir o dia.
(Domingações prosa poética) [...]
O livro é isto, a carência espacial que eu
não queria, a fotografia da amplidão cheia de
vazios, onde fui descobrindo meu espaço de vida
( Eu - com o pé aqui- em Campos, mas, a cabeça no
mundo maior, desenhando denúncias, na paciente
tentativa de re-erguer, entre escombros, de fazer a
claridade nas mil faces da palavra."
( Folha 2 -Campos, domingo e segunda-feira
19 e 20/03/78)
Sobre o livro
publicado, a carta-elogio de Pedro Nava :
Rio,25 /1 /78.
Amélia Maria,
O Sérgio veio visitar-me e trouxe o luminoso
presente VÁCUO E PAISAGEM que você
mandou. Obrigado.
As estrelas em fundo escuro da
capa são bem o símbolo de sua poesia cheia de
claridades, de achados de ritmo e verbo ao mesmo
tempo que de mistério e hermetismo rimbaudianos.
Pedro Nava
Em Campos, Amélia Alves foi professora do ensino de 1.° e 2.° graus nas disciplinas Inglês
e Português e, mais adiante, professora universitária.
Neste período, recebeu o título de Destaque
do ano em Educação,
viveu uma fase de ricas experiências com a linguagem
teatral, dirigindo a montagem de textos coletivos,
elaborados com seus alunos, tendo sido também
reconhecida como revelação literária pela publicação
de Vácuo e Paisagem. Já no Rio
de Janeiro, seguindo a vocação de educadora
comprometida com a realidade de seu tempo, tornou-se
Mestre em Educação ( Tecnologia Educacional , com
especialidade em televisão educativa ) pela Universidade
do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
Por esta opção profissional, colaborou na montagem de
projetos pedagógicos da iniciante TV Manchete (RJ)
como também na TV Educativa (RJ), participou da
produção de filmes e programas educativos, além
de materiais pedagógicos em geral,
coordenando projetos e criando argumentos e roteiros .
Vem daí uma fase intensa de trabalho no Laboratório de
Currículos e no Centro de Tecnologias Educacionais /
Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro,
onde criou e coordenou projetos pedagógicos voltados
para a influência e o uso dos meios de comunicação
social na escola, bem como estudos e artigos
publicados em periódicos especializados, versando sobre
uma pedagogia centrada na leitura crítica dos meios
de comunicação social na educação,
tema de sua dissertação de mestrado Pedagogia
do meio / pedagogia da mensagem
( Semiose da leitura na telenovela questão
pedagógica?), que lhe proporcionou o grau de
Mestre em Educação com louvor e indicação para
publicação (1985).
Neste período, editou o jornal Circuito
Aberto e coordenou o projeto de utilização
e reformulação de linguagem de Radioteca
Jovem (Rádio MEC-AM), experimento que
operava sobre os processos de interatividade com o
público ouvinte, em vinte e duas escolas da rede
pública do Estado do Rio de Janeiro, de modo que
falassem de si para si e de si para o mundo,
reconstruindo a linguagem para o seu próprio usufruto.
Pela repercussão de tais experiências, foi convidada
pela direção do Centro de Medios de Comunicación y
Educación ( CEMEC) para representar o Brasil no Tercer
Seminario Latinoamericano de Educación para la
Televisión em Buenos Aires Argentina
(agosto de 1988), sendo eleita para compor a comissão de
educadores que elaborou o Documento de Buenos
Aires, referenciais teórico
metodológicos de leitura crítica da televisão
na América Latina, pela vertente da matriz fundamentada
na contribuição de Paulo Freire para a pedagogia dos
meios de comunicação.
Dirigiu o Centro de Tecnologias Educacionais (CTE) da
Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro, por
eleição da equipe técnica, de 1987 a 1989, coordenou o
grupo de especialistas da Assessoria Pedagógica do
Departamento Geral de Ensino, atuando, principalmente, na
Reformulação do Currículo do Curso de Formação de
Professores e na criação do caderno pedagógico Teoria/Prática,
onde teve artigos publicados.
Ainda
dentro do campo de experiências na SEE/RJ,
participou do Programa Especial de Educação ( para a
implantação dos CIEPs ) e da Assessoria Técnica no
Conselho Estadual de Educação .
Na fusão do fazer literário com a práxis pedagógica,
foi professora adjunta da Faculdade de Educação da
Universidade Cândido Mendes e do Curso de
Educação Artística da Universidade Bennett, nas
disciplinas: Literatura Infantil e Dramatização,
Tecnologia Educacional, Estrutura e Funcionamento do
Ensino, Teoria da Educação, Arte-Indústria TV,
Palavra Literária e Estética da Expressão Escrita
.
No exercício do magistério destas disciplinas,
desenvolveu, junto com seus alunos e a partir
deles, painéis de leitura e oficinas de produção de
saber, em que se experimentava o discurso literário nas
suas mais diversas instâncias, aliando-o a um
conhecimento específico sobre as formas de
manifestação da linguagem, principalmente , no que se
refere às concepções de leitura e ao leitor
espectador, face às múltiplas práticas
simbólicas que ocorrem nas relações sociais,
intermediadas pelas novas tecnologias da comunicação,
onde os objetos do conhecimento podem ser criados e
re-criados.
Atuando sempre nesta direção, aceitou o convite do
Governo do Estado do Rio de Janeiro para ser
Sub-secretária da Secretaria Extraordinária de Defesa e
Promoção das Populações NegrasSedepron
(1992/1993) .
É presidente
da Associação Brasileira de Tecnologia
Educacional / seção RJ, atuando como consultora
pedagógica e especialista em educação à
distância, com artigos editados em publicações
especializadas:
-
A
Linguagem dos Quadrinhos ( in:Jornal Circuito Aberto.
Rio de Janeiro, Centro de Tecnologias
Educacionais / SEE-RJ, ano I / no. 1,1983.);
-
Televisão
a estruturação do mito via
linguagem ( in: Jornal Circuito
Aberto. Rio de Janeiro, Centro de
Tecnologias Educacionais / SEE-RJ,1983.) ;
-
Projeto
Uso dos meios de comunicação social na
escola uma
experiência em curso( in: Comunicação e Educação
Caminhos Cruzados; org. Margarida Maria F. Krunch. Petrópolis / RJ,
Vozes, São Paulo, AEC do Brasil, UCBC, 1986.);
-
Uso
dos meios de comunicação social na escola (in:
Documento Básico do XIX Seminário Brasileiro de Tecnologia
Educacional. Rio de Janeiro, ABT, 1987.);
-
Educação
à Distância e Educação Continuada ( in: Revista
Tecnologia Educacional. Rio de Janeiro, ABT, julho-dezembro, 1989.) ;
-
A
experiência de Campos ... no ar : a minha , a
sua Radioteca Jovem ( in: Tecnologia
Educacional. Rio de Janeiro, ABT, maio / jun.
,1991.) ;
-
O
rádio num país musical (Jornal A Tarde, suplemento
cultural; Salvador-Bahia, 5/01/1992), também
publicado na revista Tecnologia Educacional (maio/junho, 1992.);
-
No
ovo da serpente revisitando os parâmetros
da Tecnologia Educacional na vertente da
utilização da Informática
em processos de Educação à Distância ( in: Revista
Fonte. Rio de Janeiro, Centro de
Informática na Educação CIE
/ IBM do Brasil, ano 2, no. 4, julho/outubro, 1995.).
Paralelamente aos avanços que realizava em
Educação, Amélia Alves participou de mostras de
poesia visual, encontros de poesia falada e de várias
antologias tais como: Ecologia uma
visão crítica, organizada por Ivan
Cavalcanti Proença (Rio de Janeiro, Oficina do
Livro,1992) e a Antologia da Nova Poesia
Brasileira, organizada por Olga Savary ( Rio
de Janeiro, Fundação Rio / Hipocampo, 1992). Obteve
algumas premiações em concursos literários, entre os
quais, o da Academia de Letras de São João da Boa Vista
(São Paulo) 1998, e o Concurso Literário do
Servidor Público 1997, 1998 e 2000.
Descobrindo a face mais nítida da poeta na educadora
atuante e buscando na educadora a poeta que caminha na
direção da conquista da cidadania, do poder exercer
suas falas como instrumento de descoberta e revelação,
Amélia Alves identifica seu texto poético como sendo a
forma mais verdadeira de mexer-se no mundo, de se
desentranhar, dizendo-se ao outro Enquanto
não me amas, eu faço poemas/e trato dessas coisas que
te amofinam/e de outras tantas
que me alucinam ... (Poemática ) e ouvindo-se no
outro ... se não me constróem as
palavras,/por dor e convicção assim eu as construo ( Plenitude
).
Prosa
poética e/ou crônicas

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