
A noção do traço
sugerindo a presença da linhae o manejo da agulha
sendo cadência
após cadência
no macio do pano brancopra depois haver o risco duro de premeditadas paisagens
onde matizes de fumaças
dizem de sustos
sortes
da palavra acorrentando-se
do desenho escapulindo entre dedos dormentes
da pá
do pó
do pé violentando caminhos
da propalada paz de papeldessa vontade de viver
entre-mentes,
humana-mente.
Os homens da noite são assim:
sorumbáticos,
às vezes apáticos,
ensimesmados.Caminham de mãos abertas,
encapuzados com as cores das nuvens,
vestidos com restos de lua.E passeiam
espaçolando
astronautas
de planetas desconhecidos
amigos
da fumaça
da pauta
de música
ressuscitada
cantarolada
em cada mesa de bar.Na noite os homens são etéreos,
eternos amantes da amada de cada dia,
da cachaça de cada noite,
dos rostos que se embolam
nas linhas de escuro e fumaça.E volteiam
semi-patéticos
anjos
do escuro
arcanjos
perdidos
num fio
de voz
num jato
de spot
viventes
dos potes
de amor molhado em scotch.Bebem mundos de skol
e têm hálito metálico.
São assim: felinos ferozes (felizes?),
do tamanho de um sustenido
durando um tempo de bemol,plásticos,
elásticos,
mortais.
Nem verão nem inverno,
apenas outono
de frutas fresquinhas,
apenas abril,
abril de Tiradentes,
Descobrimento do Brasil.O que me fica de abril
é esse sentir de coisa desabrochando,
um ampliar sem conta
de pouco e pouco,
pegar tudo,
gente e coisa,
coisa e gente,
por dentro,
esse cheiro de chuva fininha molhando a-dois,
um ver-a-vida vendo sempre.E depois ... o que me fica de abril
são coisas e coisas
que eu não sei dizer
nem digo,
um semi-sentimento
que mal se abriu.E muito mais até que
fevereiro, maio ou setembro
um gosto, nem dezembro
nem agosto, apenas de
terem me brotado no mundo
em Abril.
Sábado:
veio e era caminho.
Domingo:
ficou e era tudo.
Segunda-feira:
foi e já era abismo.Outro sábado:
não havia peito
e, se houvesse,
era mudo.
Outro domingo:
outro jeito
outro tudo.
Mais um dia
é apenas
dádiva
paz
como também
cruz
madrugada desfalecente
manhã costurando-se em veias de luz.
aperta
aparta
desaparta
Eu hoje também saí.
A menina morta
foi de leucemia
foi de afogamento
foi de amorfoi imagem borrada
engolindo papel
paisagem
ou retrato roto
perdendo-se por entre galhos secosA palavra certa atravessada na garganta.
Esse vulto leve leve
levemente se põe
cadência.
Esse corpo mole
malemolente se faz
carinho.