| "Rara vez se encontra poesia tão sensível
e ao mesmo tempo tão inteligente
como a de Carpinejar. É a grande confirmação de Polonio, em Hamlet,
'há método em sua loucura', e tudo o comprova" ANTONIO SKÁRMETA |
AS SOLAS DO SOL
As solas do sol é a estréia de Carpinejar. Ele apresenta um vale imaginário formado por dez colinas. Os versos são precedidos por uma narrativa que "costura" os capítulos. O protagonista da travessia é Avalor, que procura um "lugar seguro para guardar a morte". Encontra a si próprio ao extraviar as
lembranças. Pode nunca ter saído de casa, pode estar no hospício - por isso, a explosão lírica como um surto. É a viagem que corre nele.
O deslocamento está centrado no tom pictórico da obra, na interação com a realidade psíquica das cenas, em mover-se na imobilidade das estruturas afetivas. Trata-se de imagens de violência emotiva. Há na corrente dos versos um extenso bestiário - perdizes, potros, pombas, galos, faisões - no qual o viajante transfere seus sentimentos e os recebe de volta, pesados de outros hábitos, participando efetivamente da paisagem. Não somente vê, mas se mistura ao visto.
AS SOLAS DO SOL
Bertrand Brasil
(Av. Rio Branco, 99 - 20º andar - Centro Rio de Janeiro/RS 20040-004
Tel.: (21) 2632082)
128 páginas ano 1998
Preço: R$ 17,00“Talvez não seja pertinente indagar de que mundo fala este livro? , como se houvesse tal mundo à parte da obra, do qual ele seria a rude contrafação. O mundo é o próprio livro, erguido à margem, ou contra, as convenções naturalistas e firmado num pacto de cintilações e belezas extraído de suas formulações intrínsecas, sem estar a reboque de verdades que lhe sejam alheias. Movimento inestancável de assédio ao indizível, que, paradoxalmente, se deixa capturar em chispas de culminância da linguagem”
Antonio Carlos Secchin
[in prefácio do livro As Solas do Sol“]”As Solas do Sol se oferece como universo poético - metafórico altamente elaborado, que, recusando in limine todo e qualquer traço de lirismo ou subjetivismo, bloqueou na nascente a possível paixão ou arrebatamento para deixar existir somente o poema”
Nelly Novaes Coelho
[in “As Solas do Sol: O Espaço Mítico da Palavra”, Correio das Artes, João Pessoa (PB), 05/12/1999]
”Embora seja um livro fundado em instantâneos líricos, As Solas do Sol sugere uma cosmogonia em que o poema em prosa comparece de maneira a alicerçar o conjunto. Trabalhando num nível altamente metafórico da linguagem, o poeta manipula símbolos numa trama de explorações no tempo e no
espaço. (...) É fácil perceber que estamos diante de um verdadeiro poeta.”
André Seffrin
[in “Poesia no Sangue”, Revista Manchete, 17/05/1999]
”fabricio mostra que a poética não é só sua veia, é também o seu equipamento genético: acaba de publicar um belíssimo livro, cujo notável título, aliás, é um grande achado: As Solas do Sol. Emocionante o nome com que ele se assina: Carpinejar (assim mesmo numa palavra só). ‘Carpe diem’, disse o poeta Horácio: curte o dia. ‘Carpe Carpinejar’ digo eu ao leitor: você
gostará”
Moacyr Scliar
[in “Diário de Bordo, Jornal Zero Hora, Domingo, 31/01/2000]
UM TERNO DE PÁSSAROS AO SUL
Um terno de pássaros ao sul, a segunda obra do jovem poeta gaúcho Carpinejar, relata a procura das origens. Narra a trajetória de um homem resgatando o pai e retomando a ligação com a terra natal. Trata-se de um acerto de contas, onde a região geográfica e imaginária do pampa participa como testemunha do embate verbal. Até os protagonistas encontrarem uma amizade muito além do sangue. "Tivemos a coragem de superar o começo,/ não transformar a filiação/em mapa de guerra,/imitação da treva", revelam os versos.
Carpinejar guarda respiração para mergulhar fundo na sensibilidade. Compôs um livro de um fôlego só, um poema longo, sem pausas ou capítulos, como uma oração emendada nas lembranças, como uma carta que nunca atinge o ponto final. "Nossa coerência/ é estar mudando", avisa o poeta.
Um terno de pássaros ao sul já no título nos sugere tanto o traçado de uma migração como a necessidade de um agasalho para enfrentar o rigoroso inverno. Tudo inicia com um apelo "Volta ao pampa, pai" que assume o papel de refrão interligando as iluminações e as metáforas do texto. Fatos do dia a dia de uma criança como conversar com roupas ou disputar corridas com a lua confirmam a incansável busca, que se estende pela enfurecida adolescência e atinge a idade adulta com a reconciliação e o retorno à casa demolida.
UM TERNO DE PÁSSAROS AO SUL
Escrituras Editora
(rua Maestro Callia, 123 - Vila Mariana - 04012- 100 - São Paulo/SP Telefax:
(11) 5082-4190 - http://www.escrituras.com.br)
96 páginas, ano 2000
preço: R$ 15,00
”Li com o cuidado que as primeiras linhas mereceram. Carpinejar fez um belo poema, o que faz dele - no total - um belo poeta. Terno é muito, uma porção?
Não vou estragar meu encanto pelo poema com nenhuma exegese. Mas a frase mais bonita do livro, repetida com variações aqui e ali, o leitmotiv, é ’Volta ao pampa, pai’. Não há literatura que melhore isso.”
Millor Fernandes [02/01/2000]
”Quando se descobre um poeta, ele já está há muito descoberto. Acabei de descobrir um poeta, um poeta com suas ferramentas afiadas, com seu itinerário escrito, com seu rumo traçado. Um poeta e muita ternura. Este poeta de pedigree, que para muitos pode ser velho conhecido, para mim foi um dos prêmios por haver viajado dia dois de novembro para Porto Alegre.
fabricio Carpi Nejar, ou apenas Carpinejar, com a humildade dos grandes, apresentou-se, mas apresentou-se mal, pois mal ouvi seu nome. Não se apresentou dizendo, como lhe era de direito, eu sou um dos grandes poetas da nova geração de poetas brasileiros. Quem viver, verá.”
Menalton Braff
[in “Um poeta ao sul com gosto pela musicalidade”, O Globo (RJ), Caderno Prosa e Verso, 24/02/01]
”Um terno de pássaros ao sul encanta e prende o leitor da primeira à última página, tanto pelo ritmo extremamente ágil quanto pelo forte princípio masculino de um discurso que se faz força de expressão. Este poema-livro é unificado pela busca biográfica da figura paterna, afastada da família pelo divórcio. Filho de Carlos Nejar e Maria Carpi, dois poetas gaúchos, o autor reencontra o pai neste livro, recuperando-o pela poesia. Manejando metáforas espontâneas, por mais inesperadas, Carpinejar esbanja vitalidade poética, não havendo recuo ou hesitação em seu livro de pura vitalidade.”
Miguel Sanches Neto
[in “Uma casa maior que o mundo”, Gazeta do Povo, Curitiba (PR), 07/08/00]
”Um Terno de Pássaros ao Sul apresenta ao leitor um outro Carpinejar - e, à literatura gaúcha, um poeta eclético, que transita bem entre estilos”
Eduardo Nasi
[in “Uma longa canção”, Jornal Zero Hora, Segundo Caderno, Porto Alegre (RS), 13/09/00]
”Em tempos frios, rápidos e virtuais como os de hoje, Carpinejar é capaz de fazer poesia épica, quente, demorada e real”
Marcelo Backes
[in “Uma Carta ao Pampa”, jornal Zero Hora(RS), Segundo Caderno ‘Cultura’, 09/10/01]
”A voz do poema é a de um filho, como deve estar claro, e o interlocutor é um pai, que saiu do pampa. Mas este pampa não é diretamente a geografia do Rio Grande, embora não caiba mal esse sentido. O filho está e não está pedindo a volta do pai. Mais que isso, está dizendo que está pronto para o diálogo adulto, passou pela prova de filiação, quer ver o que acontece depois disso. Só por esses elementos, o leitor já viu que estamos falando de um livro de alto interesse, que se estrutura bem, e, atenção, escapa ao círculo de giz da poesia curta que procura o efeito imediato, espécie de prisão da poesia de nosso tempo. fabricio Carpinejar quer o efeito sutil, de
difícil obtenção, que vem do ritmo elementar da frase e da força das imagens, tudo tramado em longa duração, em longa oração. E consegue.”
Luís Augusto Fischer
[in “Carpinejar”, coluna Pesqueiro, Jornal ABC Domingo, Caderno Lazer e Cultura, 12/11/00]
”Carpinejar trabalha com as visões de dentro e ao mesmo tempo consegue ser de uma visceralidade gaúcha por inteiro, no Terno, ao estruturar o poema em torno de uma conclamação ao pai, ao pampa, ao Deus desconhecido enfim, por todas as formas de retorno como redenção (e remissão).”
Fernando Monteiro
[in “Uma voz que vem do sul”, coluna Fernando Monteiro, Suplemento Rascunho, julho de 2001]
“Carpinejar atinge o nível da verdadeira poesia que poderia ao contrário, perder-se em pieguice, o que não sucede. Ele se escoima nos signos palpáveis de sua realidade palpável, a biblioteca, boinas, folhas e grilos, signos que tornam o processo proustiano mais sensível, táctil até. Na camisa e na gravata se emblematiza esta figura pesada que é sempre o pai e que Carpinejar consegue tornar leve, com aquela leveza que queria Italo Calvino em suas colocações para o terceiro milênio”
Ildásio Tavares
[in “Alguns poetas alçam vôo”, Tribuna da Bahia, Salvador (BA), Caderno Lazer, 03/09/00]
”Todos os elogios são sob medida. A poesia de Carpinejar encanta, pega o leitor em suas asas ao mesmo tempo reais e imaginárias, permitindo, em meio à buzina dos automóveis, um vôo pelo silêncio interior. Seja o dele - que quase grita - ou o nosso - que faz calar o barulho das grandes cidades.”
Iza Calbo
[in “Versos com asas”, A Tarde, Salvador (BA), Caderno Cultural, 07/07/01
”Não é difícil detectar logo nos primeiros versos de Um Terno de Pássaros ao Sul uma das particularidades que fazem seu autor um poeta à altura dos melhores. Carpinejar, antes de tudo, tem consciência das necessidades do leitor em relação à poesia: ‘O leitor precisa habitar o poema’, costuma afirmar, ciente de seus objetivos como poeta. Parte então do ponto onde muitos terminam. Apanha a forja com a segurança de quem sabe fazer de seus poemas um lugar habitável, desviando-se, com agilidade, do fácil e ingênuo caminho da catarse, da louvação ou do desabafo amoroso”
Tailor Diniz
[in “O pampa sem fanfarra”, Revista Aplauso, Ano 3, N.º 21, 2000]
“Em Um Terno de Pássaros ao Sul, o poeta se volta para a busca das origens e resgata a pessoa e a poesia do pai, Carlos Nejar, retomando a ligação com a terra natal. O passado do poeta-filho tem a ver com a paisagem topográfica do poeta-pai, e é sugestiva uma das epígrafes do volume, tirada a um verso de Carlos Nejar: ‘Alguém no meu lugar foi biografado’. Não se trata, é claro, de uma biografia propriamente falando. Mas a relação de Carpinejar com o pai faz ressuscitar o passado de ambos, gaúchos e poetas, e o texto do filho é mesmo um ajuste de contas com esse passado, com uma forte dose de contrição, mas realizado com contenção e imparcialidade, sem arroubos ou exclamações extemporâneas. Carpinejar reafirma, neste novo livro, as grandes qualidades que o livro de estréia já apontava.”
Fernando Py
[in “Sol, pássaros, água e caos”, Tribuna Literária, Tribuna de Petrópolis (RJ), 03/12/00]
”fabricio Carpinejar transforma seu segundo trabalho, Um terno de pássaros ao sul, em uma das boas surpresas poéticas desse início do ano. Com muito fôlego , o livro é um poema só, longo, sem pausas ou capítulos, no qual ele resgata tanto o seu pai quanto sua ligação com a terra natal. Quase como uma série de cartas, de várias épocas diferentes, enviadas para o
destinatário de uma só vez”
Schneider Carpegiani
[In “Cartas Poéticas em nome do pai”, coluna ‘Escrita’, caderno C, Jornal do Commercio, Recife (PE), 03/04/01]
Prefácio de Ivo Barroso a Um terno de pássaros ao sul
"Despeço-me do passado
como um cavalo sem dono"Este é um livro em que o passado não é passado a limpo nem repassado numa recherche de saudosismos, mas de enxuta evocação para determinar e construir um futuro que se anseia quase presente. É muito difícil, principalmente em poesia, evocar o passado sem romantizá-lo, sem se cair na armadilha da auto-piedade ou das comparações inócuas. Um texto que pretenda e necessite fazer ao mesmo tempo um ajuste de contas, um mea culpa, um ato de contrição, um estender de mão, um pedido de bênção e uma entrega do perdão - tem necessariamente de ser tenso e calculado, comedido e isento, para não recair no lugar-comum das louvações ou das condenas. fabricio Carpinejar conseguiu fazê-lo, e, mais que isso, conseguiu escrever um livro de espantosa unidade, um tema com variações, cada qual mais rica, sem apelar para a fanfarra dos metais nem o ribombo das percussões.
Composto em trios ou estrofes de três versos, multimétricos, nele desenvolve um ritmo interior, de quase confissão, como palavras ditas na sombra, mais dirigidas a si mesmo que ao destinatário desta carta-poema ou deste aceno de volta. O poema longo sempre foi um desafio para todo poeta que não se conforma como vôo baixo dos sonetos ou a sístole taquicárdica dos haicais.
Perseguir um tema como quem busca uma rês desgarrada no amplo pampa, enlaçá-la de metáforas que mais a libertam do que a aprisionam, domar o verbo até torná-lo um ofegante respirar, por fim um sopro, como o define Rilke - eis a grande subjugação conseguida neste livro. A tremenda unidade estrutural deste texto poderia induzir o leitor a pensar numa fria arquitetura poética, despida daquele in-out de neurônios que caracteriza a tensão emocional dos verdadeiros poemas. Carpinejar, ao mesmo tempo em que não é um poeta derramado, que se deixa levar pela emotividade do tema que buscou, que sofreu e que domou, é uma dessas raras exceções poéticas dos jovens de hoje, pois consegue fazer uma poesia em que estão presentes e pulsantes os sistemas respiratório, circulatório e vascular que organizam a condição vital da poesia. Nada há aqui de laboratório, de pesquisa formal, de vanguardismos pré-fabricados, de modismos de algibeira; aqui existe uma Forma, sem a qual nenhuma poesia se sustenta, e, dentro dessa forma, uma essência que lhe dá vida. Poderão dizer que esta é a velha fórmula da poesia. Eu direi que é a expressão da poesia sempre.
POETA BRASILEIRO É PREMIADO NA ITÁLIA
O poeta gaúcho fabricio Carpinejar, 28 anos, obteve o 3º lugar no Prêmio Literário Internacional 'Maestrale - San Marco' 2001, o 'MARENGO D'ORO (5ª Edição), em Gênova, na Itália. É o único brasileiro selecionado. Concorreu na categoria obra em língua, entre candidatos de diferentes idiomas como francês, inglês e espanhol, afora os de língua portuguesa (África, Brasil e Portugal).
Os versos premiados fazem parte do livro 'Um terno de pássaros ao sul' (Ed. Escrituras, 2000), vertidos para o italiano pela tradutora paranaense Cassiana Toazza Caldeira com o título 'Nessuna Ferita' (Nenhuma Ferida). Carpinejar participou com apenas um poema, enquanto que os ganhadores apresentaram livros publicados na Itália. Os versos serão publicados em antologia com os outros dois vencedores (1º lugar - José Enrique Briceño Berrú, do Peru com a obra Dall'Amor Profano all'Amor Sublime e 2° lugar - Juan Carlos Iglesias, de Espanha com La mulatta del balcone di fronte).
O júri foi composto por personalidades intelectuais italianas, dentre elas, filósofa Francesca Affaticati, poeta Alberto Dell'Aquila, escritor Paolo Paganetto e professores Arturo Mencacci (Universidade Católica de Milão), Michele Picoli (Universidade de Gênova), Carmem Maggi (Universidade de Florença), Giovanni Chierusa, (Universidade de Gênova) e Maria Gueglio (Universidade de Florença). O texto premiado foi definido pela comissão como "exemplar pela intensidade dramática, que aprofunda a busca incessante do corpo, da alma e da figura do pai, através das roupas e dos vestígios da presença".
Um terno de pássaros ao sul, poema único, sem capítulos ou pausas, narra a trajetória de um homem resgatando o pai e retomando a ligação com a terra natal. É a sua segunda obra e contou com admiração de críticos e escritores como Ivo Barroso, Ignácio de Loyola Brandão, Millôr Fernandes, Marco Lucchesi e Luciana Stegagno Picchio.