| Jaime Vaz Brasil - poemas II |
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I. A
paralela dos olhos Desliga
o tempo (Quando,
a um toque, a palavra II. De
Homero a Borges, a verve na
alma líquida e pétrea (Margem
de rio ou página III. Densa, por
onde as veias do verbo (Por
que a folha não chora IV. Cada
idéia que se move que
vai ao chão dos retângulos (Como
cantá-las ao dia V. Os
dois, a seu modo e hora (Quem
disse que dentro deles VI. De
Homem a Borges, a verve e,
a termo, sopra outro corpo (Onde
o parto dos escritos VII. Preso
ao cofre das amêndoas que
enflore o estado de planta (Por
que uma chave apenas VIII. Semicerrados,
os olhos O
poema é um tropeço (Em
que degrau se revezam IX. Os
dois, a seu modo e hora feridos
de luz y espanto (Onde
os porões anoitecem X. De
Homero a Borges, a verve que
escava o ar e em seguida
I. O
espelho de duplo fundo (Não
a imagem, inerte; Se
o dobro de si mesmo reduz
ao meio os temores Quando
o dia acende um palco a
queda é sentida em dobro (Mas
qual dos dois é II. A
casa de cada frase (Ele,
à margem das palavras O
acontecer a um deles Repelem,
a quatro mãos Desenham
passos de estátua (Esconder-se
é um dos modos Como
se argilam as formas III. Ao
retrato da parede A
sombra repete o gesto Criá-lo
assim, tão igual, ao
refugiar-se no outro E
anda, em seu corpo alheio preso
à mão de um norte exausto, Quem
deles escreve o morte IV. Ao
outro ele, as coisas E
coibi-las não cabe O
corpo, em imitação a
sombra que, num segundo (E
assim se perpetua como
quem, seu papel, Mas
qual dos dois se despede
(As
Graduais Sombras As
sombras que me rodeiam Seus
vultos lentos e escuros O
vidro das ampulhetas na
luz que os poucos se afasta A
mão que empunha o destino derrama
sobre meus olhos Um
tigre manso e selvagem enquanto
garras de sombra A
noite áspera e longa e
em suas sombras perenes A
mão que empunha o destino e
me reflito, impassível,
OLHOS
DE ABISMO NA QUEDA DE CADA BUSCA
Olhos
do absurdo Olhos
de adeus Olhos
de semente Olhos
de ventania Olhos
de chumbo Olhos
de Judas Olhos
de dúvida Olhos
de náufrago Olhos
de vinho Olhos
de abismo Olhos
de rebeldia Olhos
de medo Olhos
de clava Olhos
de pedra Olhos
de retorno Olhos
de escravo Olhos
de nuvem Olhos
de gula Olhos
de aviso Olhos
do tempo
A
PALAVRA NO ESCURO OU OS
DIALETOS DO POÇO 1.O
escuro plasma a palavra. A
palavra no escuro A
voz que nasce o
ser que, por ser quanto
mais dele II.
A palavra desfunda Mas
quem tropeça no corpo e
desce Contra
as paredes redondas enquanto
o círculo III.
O escuro lança a viagem Aos
dialetos do poço e
ele, ao lançar a frase, Quem
vai a ele em viagem beber
em água-palavra IV.A
palavra chora e dança O
verbo assim concebido a
dançar Quem
se busca quebra
o metal Tranca
Filmar o amor em fuga é anoitecer um brilhante: Não da máquina, mas dele contra algum muro de vento Lentificá-lo em palavras de tomar-lhe bem o pulso As razões de cada escape mais
escoladas na história Quando há medo, mesmo ao pássaro (É fuga em busca de água O pensá-lo mais concreto (É a colher gasta em silêncio O amor à sombra de fuga e enquanto foge de si, Por isso, leva-se aos ombros é sombra pulsando aos passos E assim por onde adormeça
- de, mesmo ao dizer-se livre,
Tenho as portas laceradas, Minha alma quer silêncios, Imponho esponjas e espumas Nas portas de minha alma Contra a insônia desses punhos em
seu dorso incandescido, Se
minhas portas se abrem,
E se nas mãos de Pandora que da caixa se soltaram tudo o que possa ser visto, na cor dos males do mundo, O que seria de todos e na hora da colheita se no colo de outra virgem pregando em nome
do Pai e que do céu derramasse e nos fizesse viver O que seria de todos sem confissões nem martírios, No coração dos humanos só um problema haveria, se o próprio Deus nos mandasse autorizando o pecado,
E
a dor cansada na insônia Deixo
a paz que eu encontrei E
a chave surda, sem uso Deixo
perdido um poema, mas
pra que um dia eu te encontre Deixo
contigo meu ventre mas
profetizo, em silêncio:
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