Poemas de José Geraldo Neres
Projetos literários (no prelo/sem precisão de lançamento): "Ambrosia", poesia erótica; "Homo-Sapiens", poemas soturnos; "Poemas Esparsos", "Poemíninos", seleção de contos: "Faces, fases & fragmentos" e as novelas: "O Sobrevivente" e "Terras Ocultas".
atmosfera, espasmos
e a fera percorre
gênio
em máscara de sorriso amargo
lacra a lâmpada
a lua chora
em bailado insano
a ausência do lobo solitário
a magia encarcerada
no planeta azul
de pífio esplendor
a ninhada roda
em círculos
desertada pela morte
orações
orações em néon
pequeno rosto
em chapéu vazio
súplica notas
na noite surda
pulsa a esquina
em gotas tingidas de fel
(lamento soturno)
olhos sem orvalho
correm ao meu lado
? futuro
"Ambrosia", poesia erótica
Ambrosia ou licor que conferia a imortalidade a quem o bebesse; dizem os brâmanes que pela posse desse maravilhoso licor houve grandes lutas entre os bons e os maus gênios. Mitologia Indiana. Fonte de pesquisa: "Diccionário das Mitologias Européias e Orientais", de Tassilo Orpheu Spalding *
ENCANTO
no leito
silhueta
o sol brilha
nos lábios místicos
na porta
o som dúbio
chama-me a bailar
nas chamas versos
reina-mulher
cavalga
e
alimenta
tatua seu mapa
neste peregrino
na barca-desejo
enigmas
e
o suor da noite
sem estratégia
sem medo-amanhã
me entrego
ô caçadora!
avalon
se desenha
na seiva
navego
mítico orvalho
mítico orvalho
cântico
na
órbita-azul
verbo
dos tambores
e
silêncioságua
na caça
sagitário
e
labirintosgrito
miragens
e
melodias do Vesúvioesfinge
semeia
o nono girassol
no relógio lunar
CÂNTICOâmago
ser libertino
mescla-se com líquido
em manhoso êxtase
o deleite compassa o desatino
tatuo um poema no seu dorso
manifesto silente de mistérios
a madrugada estimula tramas
estrelas brincam no espelho d'alma
orvalho
o paladar do amanhecer
são versos
em papiro imaculado
AMBROSIA
com vestes estelares
dragões na cintura
almejo o dueto do orvalho
flama
no peregrino dorso
refúgio das lágrimas cristaisnutrír
dias passados
fragmentando
as faces da luaalvo - alvorecer
pássaros
traduzem em cânticos
o sumo êxtase
pedras uma criança
chora estrelas
órfãs no dia sem luz
gotas de mar
alicerce dos ventosuma outra sorri
e
a noite
se faz sonho
seduz
a terceira criançagrãos de areia
fragmentos de um castelo
na mão esquerda
e
na outra
a realidade do concreto(fecho meus olhos)
outra vozI
a
lua
dobra seu tornozelo
na quinta estrela
esquina de sentimentos
vaga-lumesum sussurro-vampiro
corre na moldura
do corpo
em cruz
e
labirintosna
sexta vértebra
a pedra
arquiteta dos ventos
calcula o silêncio
dos libertinosII
o anjo-espelho
oculta
os demônios
de todos os credosna rendas
notas surdas
no violão
música de Vinicius
o relógio martela
a luz da cegueiraplaneta de pelúcia
sapato espera:
o pernilongo
o sonhodescem pelas paredes
heróis com prazo de validadeIII
o
corpo da infância
- roupas guardadas -
lembranças no armárioos sinos das bruxas
quebram
livros
de poesiaQuintana sorri histórias extraordinárias
o
abajur
sacode
a poeira dos olhos
e
meu terceiro dedo
sente a dor
de uma tarde de sábadoIV
na sacola
o mundo
e a
outra vozas travessuras
na órbita mágica
das criançaspalavras
anjos
e
relógios
esquecidos