Nome literário de Osório Manoel Peixoto da Silva, filho de Manoel
Barbosa da Silva ( seu Barbosa, vendeiro, padeiro, carpinteiro e
banqueiro ...do jogo do bicho) e Maria das Dores Barbosa (dona Lica),
gente simples da cidade de Campos dos Goytacazes, RJ, onde ele nasceu
em 07-03-1931, e fez as primeiras letras, não chegando a fazer cursos
superiores.
Já aos 16 anos trabalhava no jornal A Notícia, passando por
outros – A Cidade, Monitor Campista,
Correio de Campos, O Dia, e jornais de São João da Barra. Aos 20
anos foi para o Rio, iniciando-se na Imprensa Popular, jornal de
esquerda, perseguido pela polícia. Foi para a Última Hora, de
Bocayuva Cunha, que revolucionara o jornalismo. Ali, foi autor do
“furo” ( um passageiro do trem da Leopoldina, viajando de Vitória
para o Rio comeu um filé de carne bovina e passou a falar fino e
virou bicha, de onde a polêmica sobre engorda de boi com hormônio
feminino) que originou muitas piadas de âmbito nacional e inspirou a
marcha carnavalesca “Boi da Cara Preta” ( coitado do Waldemar, tá
dando o que falar. Comeu carne de boi falou fino e deu pra se
rebolar). Mais tarde foi correspondente de O Globo, noticiando a
descoberta de petróleo na bacia de Campos, que repercutiu
internacionalmente.
Depois de quase 30 anos de
jornalismo profissional, inventou de escrever, iniciando-se na
literatura de Cordel, que inovou, intercalando prosa e verso. Publicou
O Frade da Moça Bonita, O
Ururau da Lapa, Bela Joana (todas, lendas fluminenses), O Frade e a
Freira (lenda Cachoeirense), Poemas de Amor e o Ianque (1994), Lírio
de Aço, Mangue ( seu primeiro romance, pela José Olympio), A Rua do
Homem em Pé, Esquizofrenia
(1997), traduzido para o inglês. Teve editado pela Petrobras o trabalho “ Os Momentos
Decisivos da História dos Campos dos Goytacazes”, adotado nas
escolas campistas.
Embora com raízes ainda no litoral
fluminense, Osório encantou-se do litoral capixaba (ou da capixaba do litoral, que é a professora Graça, sua esposa hoje e nossa conterrânea), passando
talvez a maior parte do ano em Marataízes e Cachoeiro.
Escritor experiente, com inspiração
fácil, abordando vários temas, inclusive os folclóricos. Possui
bons e altos momentos poéticos, mormente no livro O Ianque , já com mais de uma edição. Sua preferência é o
verso livre, repassado de ternura e preocupação social, um tanto
ativista e contestadora, denunciando suas origens. Em 1994, recebeu o
prêmio “Jose Marti”, da Casa Cuba-Brasil , pelo conjunto da obra literária; em
1996 recebeu em Campos, também pelo conjunto da obra, juntamente com
José Cândido de Carvalho, o
prêmio Alberto Lamego.
( Extraído de: Poetas Cachoeirenses.)
Evandro
Moreira