Ladrão de Fogo
LADRÃO DE FOGO – disco de poesia de Ricardo Corona. Nos vinte e seis poemas que vêm cuidadosamente acompanhados de música, efeitos e edições, o disco escapa do formato tradicional das leituras declamatórias. Seja nas récitas do próprio autor ou em parcerias poético-musicais com Vitor Ramil, Grace Torres, Neuza Pinheiro, o resultado é um disco incomum de poesia e sons.
Ouça esse disco porque você vai ouvir falar
dele
“Linguagem enxuta ao extremo, repleta de ‘imagens-transe’ (mas
um transe controlado, sem derramamentos verborrágicos), os poemas são
banhados por intenso movimento, cortes rápidos, musicalidades raras”,
escreveu o poeta e letrista Ademir Assunção sobre o trabalho de Ricardo
Corona (Revista Cult, n°40, SP – novembro 2000).
Com projeto gráfico que
incorpora a instalação (sem título) da artista plástica Eliana Borges,
espaço em que se dá o encontro de uma língua humana com uma labareda de
fogo, o CD traz inéditos e uma “antologia oral” do livro Cinemaginário (Iluminuras, 1999), de Corona. Das referências, a mais marcante, sem dúvida
é a presença de um simbolismo atualizado, revitalizado e por que não
requerido, já que a maior parte dos poetas e poemas daquele movimento ainda
não mereceram a devida importância e influência no ambiente poético
brasileiro. Exemplo? Em seu mais importante livro de poemas (Paulicéia
desvairada), Mário de Andrade fez uso da polifonia inventada por Cruz e
Sousa e sequer o citou como precursor. Vacilo que no disco alimentou o
poema-provocação “Simbolista”, dito ao megafone: céus e mais céus
e céus transfigurados / feitos de azuis raros e lilases rarefeitos /que em
céus de sampa acrescenta / matiz desvairado à estampa modernista / mais
sete entrecéus contaminados / um canto polifônico que repercuta / num
blues e sousa contra o vento / um olhar caleidoscópio que reflita / céus e
sóis e sons simbolistas.
Não
só pela influência do verso-ambiente e polifônico, perceptível na poesia
do autor, que o simbolismo aparece, mas também pela inclusão no repertório
do disco da prosa poética “Vitalização” e um trecho do poema “Antífona”,
ambos de Cruz e Sousa.
As
referências (jamais meras citações hierárquicas) são a combustão do
trabalho, que de faixa a faixa vai desfiando múltiplas vozes, como a
incorporação integral do epigrama a politician is an arse upon / which
everyone has sat except a man de cummings no poema “Polítikos”, a
colagem de expressões inventadas por Jardelina da Silva em “Estilo da
boca” e ícones das artes plásticas nos “Rua Basquiat” e
“Duchampoemachang” etc.
Com o
significado do termo “ladrão”, Corona conceitua a apropriação da
referência, vitalizando-a da maneira que quiser e lhe servir, fazendo-a
aparecer em outro contexto, com ou sem ironia. A referência é material de
acesso às propriedades artísticas, culturais e intelectuais. Poesia subtraída
de um multiverso, conforme escreveu o poeta paulista Cláudio Daniel: “Corona
faz uso de técnicas do cinema, das histórias em quadrinhos e da música
popular ao resgate da experiência mitológica. O resultado dessa estranha
alquimia de linguagens é uma poesia de somatória, mescla, diversidade e
multi-referencialidade, como o jazz.” (Revista Babel, n° 3, SP –
setembro/dezembro 2000).
Das
participações e parcerias, Grace Torres, do grupo curitibano Fato, foi
responsável pela sonoridade, edição e gravação e juntamente com Corona
pela concepção artística do disco. Também compôs, tocou e cantou nas
faixas “Nascem flores com o tempo”, “Via Láctea via língua”, além
de compor e tocar em inúmeras outras como “Paisagem narcisista”, um
tango feito para Rogéria Holtz cantar e “Copyright By”, um rapoema
que o autor fala, etc. Vitor Ramil, compositor e cantor gaúcho, agrupou três
poemas e compôs um fado que recebeu o título de um deles, “Miss
tempestade”. Neuza Pinheiro, cantora e compositora londrinense, parceira
de Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé e Adriana Calcanhotto, fez improvisos
vocais e compôs a canção para o poema “A lua finge mas já reflete sóis”,
além de participar da récita de “Ventos e uma alucinação”, na qual
um clima alucinatório culmina na gula de luz de galáxias canibais: “Andrômeda
é a esfinge da via Láctea”.
O
disco traz também participações especialíssimas de músicos de Porto
Alegre, Curitiba e Londrina: Ângelo Esmanhotto (sarod e tampura), Gilson
Fukushima (guitarra), Edith Mosberger (acordeon), Ulisses Galleto (baixo),
Vagner Cunha (violino), Roger Scarton (harmonium), Ângelo Galbiati
(guitarra, flauta doce e baixo) e Luciano Galbiati (ogué, djembê e
pandeiro).
Contato com Ricardo Corona:
Tel.: (41) 262 9633
E-mail: medusa@bsi.com.br
Caixa postal 5013
Curitiba/Pr
80061-990