Revista Medusa 
Clique nas imagens para ler destaques das edições e editoriais. 

 

N°  1            N° 2  [esgotado]  N° 3       N°  4          N° 5  
 
  N°  6      N°  7     N° 8     N°  9     N° 10
  

Medusa – revista de Literatura e Artes visuais
[fotografia, cinema, artes plásticas] . 
Editores: Ricardo Corona e Eliana Borges  
Editora: independente
Preço final: R$ 5,00 (CINCO REAIS)
Número de páginas: 44 páginas

Peso: 220 gramas (sem embalagem)
 

             Contato com os editores:
              Tel.: (41) 262 9633
                      E-mail: medusa@bsi.com.br
                                 Caixa postal 5013
                                     Curitiba/Pr
                                      80061-990
   
                                                                                                   

 

MEDUSA N° 1
[
OUTUBRO/NOVEMBRO DE 1998]


Destaques da edição: 

Editorial (n° 1)

      A dois passos do fim do milênio (o que significa, exatamente, “fim do milênio”?), um dos saberes (mitos) que identificam a indumentária da cultura humana veste e assume a forma de uma revista – MEDUSA –, um ícone possível para a diversidade contemporânea. Diversidade, mais que variedade, a palavra significando a valorização do que é dissidente, apostando na ênfase à diferença, ao dessemelhante, ao contraditório, à divergência, à oposição.
      Mito/alegoria e visão mito/crítica: na cabeça de cada serpente uma língua, um veneno e um olhar. Os cabelos/cobras antenam/tensionam a discussão de um momento cultural do “século que está morrendo”, Medusa, nas suas dez edições, se propõe a pensar questões, como p. ex. as dos discursos “oficiais” e dissidentes; dos conteúdos globais e regionais. Uma cabeça com muitas cabeças, tendendo, naturalmente, para a interdisciplinaridade, para o princípio coletivo em plano poético. A poesia, enquanto forma de conhecimento, visão de mundo, trabalho com a linguagem, pode discutir o mundo à nossa volta, outras disciplinas e fenômenos? A poesia como força aglutinadora, ao mesmo tempo preservando a diversidade e a individualidade de cada obra e autor. O olhar paralisante (crítico/estratégico) da produção de um autor para melhor perceber a sua importância cultural dentro de um tempo marcado pela proliferação e pela velocidade vertiginosa de informações – um momento repleto de paradoxos típicos da pós-modernidade. As mudanças se aceleram e também provocam a sensação ou a idéia de que nada está acontecendo (“fim da história, das ideologias”, etc). Tudo parece estar acontecendo ao mesmo tempo e agora. O que é bem diferente da visão de que nada está acontecendo no tempo de agora.
      Medusa, sob o signo da Imaginação (transmuta-se em Pégaso), abre suas páginas/asas. Olhar paralisador (crítico/estratégico) sobre o obsceno em tempos de assepsia cultural e tolerância zero – onde os espaços de ação para a transgressão se tornam cada vez menores e os discursos dominantes cada vez mais politicamente corretos. Medusa, em parte, contraria até o que diz o Aurélio: “o que fere o pudor, impuro, desonesto; diz-se de quem profere ou escreve obscenidades”, para fazer coro com “aquilo que se mostra”, ou seja, “ob” (em frente) e “scena” (cena): “em frente à cena”. E mostra, em grande angular, o pensamento e obra de Glauco Mattoso, um dos poetas menos palatáveis para a imprensa brasileira. Em entrevista, Glauco fala em tupinik a Medusa, que publica uma seleção de seus “admerdáveis” poemas, epígrafes satíricas, história em quadrinhos e outros debiques glauquianos, além de um ensaio sobre sua obra feito pelo professor e intelectual norte-americano David William Foster. E para desbocar e desbancar de vez com as múmias enroladas em papel higiênico: o fescenino e ferino Marcus Valerius Martialis, vulgo Marcial (40 d.C.). O poeta espanhol é apresentado aqui com dez epigramas traduzidos por Rodrigo Garcia Lopes.
      Na contramão do mosaico/variedade, mostrando que a produção artística atual não se encontra nem ofegante nem combalida, Medusa publica, com densidade, uma miniantologia da poesia de Joça Reiners Terron; reproduz bate-papo sobre poesia recente brasileira, com Antonio Cícero, Ricardo Corona e Rodrigo Garcia Lopes; três contos de Marília Kubota; os desenhos & outros bichos de Gotto, feitos no suporte íntimo de agendas, para depois serem plotados e ganharem o espaço público; a arte orgânica e o pensamento visionário de Jardelina; as mãos sujas, calejadas e de unhas “pintadas” com sabão em pó na instalação de Yiftah Peled e na seção Medusário, o primeiro de uma série de dez textos de revitalização do mito Medusa.

                                                                          Curitiba, outubro de 1998
                                                                                      Ricardo Corona

 

 

 

MEDUSA N° 3

 

Destaques da edição:

Editorial (n°3) 

     Será exagero dizer que se deveria permitir ao Sebastião Nunes o cargo de anfitrião da festa? Permitir-lhe a façanha de ser “curador”, ou melhor, curandeiro de uma grande mostra da arte brasileira – como fora Duchamp em 1938, na França, o des/organizador da primeira e maior exposição surrealista? Talvez o Tião nem aceitasse o convite. Repetir não é mote deste que, desde 1989, declara-se ex-poeta, como se quisesse “zerar”, eclipsar o que o “establishment” entende por “poeta”. A idéia parece maluca, claro. Mas é uma das primeiras coisas que se pensa ao tomar contato com o “arsenal” criativo-destrutivo de Sebunes Tião. Sua guerrilha cultural, fazendo uso de toda sorte de recursos, imprime uma “estética de provocaçam” que não deixa pedra sobre pedra. É, pensar que vão convida-lo, assim, distraidamente, parece ser mesmo idéia de louco. Mas se Narciso acha feio o que não é espelho, Medusa encara em grande angular o poeta mineiro de Sabará, com entrevista, ensaio de Ricardo Aleixo e miniantologia mamaluca.     
     Nesse sentido, melhor dizendo, nesse movimento de assentar tijolos, é indispensável a árdua tarefa de tradução de textos “estranhos” e de incluí-los na babel contemporânea – como sempre nos lembra, em inúmeros ensaios a respeito dos textos ameríndios e africanos, o poeta e antropólogo Antonio Risério. Aqui, em tradução de Josely Vianna Baptista, três mitos da cosmogonia nivacle, etnia indígena do Chaco paraguaio, relatados por Chajanaj e Chishi’a ao antropólogo Miguel Chase-Sardi, que os publicou, originalmente, no Pequeño Decameron Nivacle, em Assunção, em 1981. Os relatos nivacle, agora publicados, iniciam uma série de textos ameríndios que Medusa publicará nas sete vidas que ainda lhe restam.

                                                               Curitiba, fevereiro de 1999
                                                                                     
Ricardo Corona
                                                                                                    Editor
 


 

 

 


MEDUSA ( N°4)
[ABRIL/MAIO DE 1999]

  Destaques da edição: 

 

Editorial (n° 4)


     
Estamos em 1999: Francis Ponge (27.3.1899) estaria com cem anos e – como nós – a alguns meses do terceiro milênio. Mas se não pôde chegar até aqui (morreu em 1988), Ponge nos legou uma poderosa cosmogonia poética, feita entre as palavras e as coisas – caixote, vela, camarão, fogo, etc. Situada na concretude densa das coisas, sua poesia regenera – no espelho da linguagem – o sentido das palavras, interagindo significativamente na língua (“cada palavra é uma coluna do dicionário, é uma coisa que tem uma extensão, mesmo no espaço, no dicionário, mas é também uma coisa que tem uma história, que mudou de sentido, que tem uma, duas, três, quatro, cinco, seis significações. É uma coisa espessa, contraditória freqüentemente, como uma beleza do ponto de vista fonético, essa beleza das vogais, das sílabas, dos ditongos, essa música...”, escreve em Méthodes, que está disponível em excelente tradução de Leda Tenório da Motta – ed. Imago).
       Se pensarmos que os meios de comunicação, com sua tecnologia, muito provavelmente, continuarão a avançar em seu duplo percurso, ou seja, ao mesmo tempo que vieram para desmontar um sistema uno e hierárquico de informações, pondo um fim à idéia positivista (Augusto Comte) de que as oligarquias dos discursos se estabelecem de cima para baixo e do centro para as extremidades, esses mesmos meios, de fato, retalham conteúdos e provocam a “sensação do todo”, homogeneizando discursos em multimeios. O fastio da imagem, ou melhor, do seu fragmento, dilatado, que se exibe – repetidamente – como sendo um todo, como sendo “a” realidade, e que obriga os significados das partes – com suas complexidades e conflitos – a convergirem para um suposto centro sem peculiaridades nem qualidades diferenciais, é que nos faz perceber uma necessidade em Ponge, em sua cosmogonia moderna, onde a significação nunca chega ao fim, para “tomar partido das coisas – levar em consideração as palavras”.
       No Brasil, há algum tempo, revistas e jornais literários têm se dedicado a divulgar a poesia de Francis Ponge, chamando a atenção para o fato de que já é tempo de o autor de Le parti pris dês choses estar devidamente incluído entre nós. Medusa publica uma seleta de poemas (em verão bilíngüe), na tradução de Adalberto Muller Junior e Carlos Loria, que ainda não tinham sido publicados em português – à exceção de La cigarrette e Le feu, traduzidos por Júlio Castañon Guimarães e incluídos em Francis ponge 13 peças (Noa Noa, 1980). 

                                                                       Curitiba, abril de 1999
                                                                                
Ricardo Corona
                                                                                        Editor

 

 

 

MEDUSA N°5
[JUNHO/JULHO DE 1999] 

 Destaques da edição: 

 

Editorial (n° 5)

     Abertura dos poros da poesia para a poética de todos os tempos. Esta a impressão que fica ao ler a entrevista com Jerome Rothenberg. Visão abrangente e pesquisa/experiência fazem do seu trabalho com a etnopoesia mais que traduções de textos exóticos, mas inclusão com igual importância no cerne do repertório mundial. Seu mergulho visceral no imaginário de culturas “estranhas” sustenta o termo “etnopoesia”, além do multiculturalismo, levando adiante a experiência poética humana, sem decalca-la do processo de pensar e dizer o mundo. A consciência temporal/qualitativa, a ancestralidade, trazidas para o pensa/pulsa da poesia feita pelos caras-pálidas, coloca-nos em contato com nós mesmos.
      
Na urgência de novos modelos e métodos para a poesia, parece ter havido um inevitável processo “civilizador”. Mesmo os significados do “novo”, nas vanguardas deste século, entram em cheque. Como explicar os ritmos vocais dos povos Trobiand (Nova Guiné), que Rothenberg compara à experiência da poesia sonorista (do genial Vielimir Khlebnikov)? – e assim por diante, em exemplos de poesia pictórica de outras culturas e povos. Por outro lado, a radicalidade desses movimentos manteve a poesia em diálogo permanente com o desenvolvimento tecnológico de comunicação – principal fenômeno “civilizador” de nosso século (sob a máxima de “quem se comunica, se civiliza”). Graças a essas experiências, a poesia não se encalacrou na era guntemberguiana, entretanto, seus conceitos – isolados – entraram em reparo e carecem mesmo de revisão. Um dos focos de Rothenberg é ligar os laços consangüíneos de modernismo e pós-modernismo (ele os vê como irmãos gêmeos). Este vitalizando aquele, preenchendo suas lacunas, trazendo novamente as dimensões globais da poesia moderna e pós-moderna. Inclusão – palavra-chave – com visão abrangente, horizontal, para alimentar a combustão do próximo século.
      
A poesia – uma de nossas linguagens mais antigas – merece ser ritualizada, colocada à disposição do ser humano, libertando-se dos especialistas. Assim, somente assim,
estaremos nos reinventando e abarrotando de conteúdos nossos meios tecnológicos triunfantes. O xamã deixa que o texto viva no corpo da tribo. Poetas-xamãs para o terceiro milênio, enfim. 

                                                                      Curitiba, junho de 1999 
                                                                     
          Ricardo Corona
                                                                                            Editor

 

 

 

MEDUSA  (N°6)
[ AGOSTO/SETEMBRO DE 1999]

 Destaques da edição: 

 

Editorial (n° 6)

       Em junho fez uma década que Paulo Leminski se foi. No dia 24 de agosto completaria cinqüenta e cinco anos de vida. Judoca zen com sotaque sulista/curitibano, criou uma obra que vai da prosa de invenção ao conto, da poesia ao haicai, da tradução à letra de música, do ensaio à biografia. De personalidade forte, polêmica, divertida, o inventor da teoria do inutensílio para a poesia, ironicamente, tornou-se hoje (vida e obra) de uma utilidade radical.
      
Em tempos de privatização poética, em que a poesia parece ser de poucos, o ex-estranho, que sentiu “o mais moderno dos sentimentos”, alimentou/alimenta uma geração de novos poetas como um cd-rom de informação literária pública. Se vivo, estaria no front cultural, protagonizando as “ligas” entre as gerações, incendiando as novas produções – nem que fosse para dizer com quantos paus se faz um poema –, como escreveu Alice Ruiz na apresentação de La vie em close: “Sempre doando esse agir e pensar”. 
      
Por outro lado, é tanta vida nessa literatura, que não é demais afirmar que Leminski está vivo entre nós, através de seus textos e idéias, cujo legado é – e sempre será – uma referência. Um cachorro louco sem dono.
      
“Repassar a lâmpada ainda acesa”, este era o Lema. E disparou poesia pra todo lado. Poesia com superfícies de comunicação, com chamamentos ao leitor, com senhas de acesso, com erudição em estado de repasse, com vida em estado de graça, de satori.
      
De vida em vida, Medusa, em seu sexto número, comemora o aniversário de vida de Paulo Leminski com dossiê preparado pela equipe editorial: três contos do livro inédito Gozo fabuloso, cedidos com exclusividade por Alice Ruiz e que estão sendo publicados pela primeira vez; uma entrevista semi-inédita; ensaio; charge; cartuns; manuscritos, e fotos nunca publicadas. 

                                                             Curitiba,  agosto de 1999
                                                                                   
Ricardo Corona
                                                                                              Editor

 

 

 

MEDUSA N°7
[OUTUBRO/NOVEMBRO DE 1999]

 Destaques da edição: 

Editorial ( n° 7)

      Neste sétimo número, Medusa abre visão policêntrica para que a razão – nômade – insista em mirar e refletir o outro. No sentido de pensar o outro, não dispensar o outro. Nada de out, fini ou kaput.
      
Na estética do frio, presente na prosa e na música de Vitor Ramil, há uma metáfora que extrapola a experiência singular do artista, para espelhar, ainda mais, a rica e polimorfa cultura brasileira. Um imaginário disponível que, à medida que é tocado, vai se tecendo e se dilatando igual cinema.
      
Seja via linguagens de comunicação ou políticas econômicas, a aproximação dos discursos globais e regionais é um fato, fazendo que também seja pensar, por dentro, nossa cultura, vitalizando sua qualidade e afirmando sua diversidade e antropofagia genuínas. Neste sentido, incluir é a prova dos nove no próximo milênio.
      
No viés “ranheta”, Medusa publica o texto Nove meses em Paris, do poeta e escritor Néstor Perlongher, inédito em língua portuguesa e cedido com exclusividade por Wilson Bueno. Uma espécie de crônica que “se abre igual tetas”, jorrando inconformismo sobre o culto do “homo faber” parisiense, representante dileto do individualismo moderno europeu. De “ranheta”, ou – se preferirem alguns – “cultura do ressentimento”, não tem nada, muito pelo contrário, trata-se de um texto de auto-estima latino-americana, propondo que pensemos através de bases e categorias filosóficas que correspondam mais à uma razão cotidiana (nossa) do que a um racionarismo sisudo e a um rigorismo casposo de filosofia acadêmica francesa, conforme aponta um outro “ranheta”, o também argentino (este, filósofo) Henrique Lynch (em Prosa e circunstância).

                                                                              Curitiba, outubro de 1999
                                                                                          
Ricardo Corona
                                                                                                        Editor

 

 

 

 MEDUSA N°8
[ DEZEMBRO/JANEIRO DE 1999/2000]

Destaques da edição: 

 

Editorial (n° 8)

      Neste oitavo número, Medusa paralisa com os vários focos de sua grande angular a obra da haicaísta, letrista e poeta Alice Ruiz. Do humor à não-intelectualização, da ausência de ego à não-verbalização e à grata aceitação das coisas da vida – essências do zen – são capturados nesta poesia fundida na pessoa Alice e em tudo ao seu redor. Um equilíbrio entre arte e vida que também está presente em suas letras de música, haicais e em sua poesia, digamos, mais ocidental.
      
Para esta aquariana com ascendente em Áries, curiosa de religiões, mãe, estudiosa do comportamento humano, entre outras dedicações à vida, o haicai não poderia ser tão-somente o puro exercício de métrica da forma fixa japonesa – ginástica corriqueira em tantos fazedores de haicais e tankas – mas uma religião, no sentido de ser uma das gratas possibilidades de se chegar ao satori.
      
Alice faz haicais como quem faz-se um veículo deles e faz poesia e letra de música como quem se afina um instrumento delas.

                                                                          Curitiba, dezembro de 1999
                                                                                        
Ricardo Corona
                                                                                                       
Editor

 

 

 

 

 MEDUSA  N°9
[ FEVEREIRO/MARÇO DE 2000]

 Destaques da edição

Editorial ( n° 9)

       Pedro Xisto (1901-1987) é um dos poetas mais representativos da vanguarda brasileira, autor de Haikais & concretos (1960), Vogaláxia (1966), Caminho (1979), entre outros. Seu poema “babel”, ainda na década de sessenta, foi transformado em show poético-eletrônico, na Universidade de Toronto, e seu livro Caminho, em espetáculo de dança, por sua filha, a coreógrafa Lia Robatto, em 1981 (São Paulo).
     
Além de poeta, Pedro Xisto também era gravurista, o que lhe somava um conhecimento especial dos materiais “extrapoéticos” e lhe permitia não somente conceber visualmente, mas realizar todas as etapas da maioria de seus poemas e livros. Talvez seja preciso investigar mais atentamente em que medida essa qualidade repercute em sua obra, entendendo-se que, dentro do movimento concretista, que incorpora a visualidade como um dos recursos principais, pode representar uma diferença significativa, um caminho no sentido inverso: o da visualidade para a palavra. Em Xisto, também atuava um artista plástico e isso fica evidente em seus logogramas, onde a criação, o pensamento, a articulação espacial de sua poesia são favorecidos pelo modus operandi característico do artista plástico. Como destaque, a meu ver, chamo a atenção para o design, delicado e preciso, de “flower/power”, “epitalâmio IV” e toda a série “mandala” – entre outros – inseridos em seu livro Caminho: um ousado objeto gráfico com a assinatura do próprio autor (capa, diagramação e projeto gráfico), reproduzido em offset, serigrafia e relevo seco. Caminho mereceria uma reedição luxuosa, com divulgação à altura, fazendo-se a justa homenagem de incluí-lo definitivamente como um livro-hit do movimento da Poesia Concreta.
     
A grande angular de Medusa, revê a extensa produção de Pedro Xisto, realizada no auge da experimentação poética das vanguardas brasileiras e mundiais e que hoje se encontra esquecida. Aqui, publicamos um ensaio, miniantologia e a última entrevista (inédita) concebida, em 1986, aos poetas Luis Dolhnikoff, Luiz Sergio Modesto, Philadelpho Menezes e Marcelo Tápia.

                                                                            Curitiba, fevereiro de 2000
                                                                                  
Ricardo Corona
                                                                                                 Editor

 

 

 

 MEDUSA N°10
[ABRIL/MAIO DE 2000]

 Edição especial com mostra de poesia e artes plásticas da produção contemporânea, acompanhada de ensaios críticos de Ricardo Corona, Ademir Assunção e Rodrigo Garcia Lopes (poesia) e Regina Melim (artes plásticas). Poetas participantes: Josely Vianna Baptista, Mário Bortolotto, Luis Dolhnikoff, André Dick, Karen Debértolis, Ricardo Aleixo, Joca Reiners Terron, Maurício Arruda Mendonça, André Sant’Anna, Elson Froés, Marcelo Montenegro, Anelito de Oliveira, Marília Kubota, Dennis Radünz, Cláudio Daniel, Sabrina Bandeira Lopes e Luis Turiba. Artistas plásticos participantes: Adriana Tabalipa, Jardelina da Silva, Analu Cunha, Michel Groisman, Paulo Climachausca, Cabelo, Elizabeht Jobim, Lígia Borga, Tatiana Grinberg, Geraldo Leão, Marcus André, Eliana Borges, Carina Weidle.

 

Medusa 10: um balanço

      Em seus nove números anteriores, Medusa insistiu na vitalização da poesia e artes brasileiras recentes. A linha editorial apostou na abertura do leque de referências, posicionando-se contra a via dupla do viés da crítica, que tem apontado prematuramente a época como um mosaico-variedade ou como ausência de novos autores – idéia flagrante em inúmeros ensaios, resenhas e entrevistas de nossos críticos, poetas-críticos e jornalistas culturais.
      Medusa trabalhou com a idéia de densidade para a diversidade, dedicando miniantologias a poetas dos anos
90, revelando alguns – como Marcos Losnak, Mario Henrique Domingues, Elson Fróes e Jussara Salazar – e apostando em outros em fase inicial (tendo um ou dois livros publicados por pequenas editoras) – como Joca Reiners Terron, Ricardo Aleixo e Maurício Arruda Mendonça, por exemplo. Dedicou páginas especiais à prosa, publicando autores inéditos – como Marília Kubota e Marcelo Montenegro – e outros já publicados – como Wilson Bueno, Marcelo Mirisola, Luci Collin, Jorge Pieiro, Álvaro Cardoso Gomes e Nelson de Oliveira. Publicou traduções de autores pouco conhecidos no Brasil – como Cesar Aira, Paul Celan, Francis Ponge, Laura Riding, Rupert Brooke – e outros muito conhecidos, mas pouco traduzidos – como Gary Snyder, Henri Michaux e Marcial. Traduziu também poetas “desterritorializados” – como Jim Morrison e Robert Hunter. Organizou dossiês, investigando sob vários ângulos (ensaio/miniantologia/entrevista), de autores nacionais e internacionais – com o objetivo de somar novas referências à cena poética e artística brasileira – como Pedro Xisto, Roberto Piva, Antonio Risério, Glauco Mattoso, Sebastião Nunes, Luiz Rosemberg Filho, Alice Ruiz, Willy Corrêa de Oliveira, Waly Salomão, Paulo Leminski, Jerome Rothenberg, Vitor Ramil e Gary Snyder –, além de debater o papel das recentes antologias brasileiras. No movimento de rever tradições e “sacudir a abóbora” (Rothenberg), publicou textos indígenas que vão dos mitos da cosmogonia Nivacle, Aruá, Macurap e Jabuti à poesia dos Winnebago, Esquimó, Ekoi, Crow e Trobiand. 
      Nas artes visuais brasileira e mundial, Medusa apresentou criticamente trabalhos de artistas novos – como as gravuras de Maria Ângela Biscaia – e de artistas nacionais já firmados em outros países, mas ainda desconhecidos por aqui – como a arte eletrônica de Eduardo Kac. Além de publicar produções resultantes de pesquisas e visualidades heterogêneas – como as de Paulo Climachauska, Newton Gotto, Márcia X, León Ferrari, Carlos Bevilacqua, Vicente de Mello, Jarbas Lopes, Alex Cabral, Lina Kim, Francisco Faria, Debora Santiago, Yiftah Peled, Ernesto Netto, Larissa Franco, entre outros. Como também publicou trabalhos de desenhistas de HQ, charge e cartum – como do francês Lionel Andeler, dos italianos Fabio Sironi e Marco Biassoni e dos brasileiros Miran, Rettamozo, Tako X, Beto, Wagner Moraes, Hermínio Branco, Guinski, Bellenda, etc. Apresentou criticamente a arte de fotógrafos que produziram seus trabalhos em outras épocas, mas só nas décadas de 80/90 tiveram reconhecimento – como a do inglês Charles Harry Jones (1866-1959) e a do imigrante japonês Haruo Ohara (1909-2000) – ao lado de fotógrafos mais recentes – como Milla Jung e Bernardo Magalhães. Desta maneira, incluindo linguagens de diferentes origens e procedimentos (escultura, fotografia, gravura, pintura, instalação, objetos, colagens, desenho, etc.) de artistas de várias regiões do Brasil, contribuiu para uma perspectiva panorâmica da arte brasileira atual.
      Neste último número de uma primeira “dentição”, Medusa comemora com a mostra de poesia e arte Medusário, fazendo um recorte – entre outros possíveis – que mais uma vez escancara a vitalidade da produção poética e artística brasileira dos últimos anos.

                                                                                 Curitiba, abril de 2000
                                                                                         
Ricardo Corona
                                                                                                   Editor

Contato com Ricardo Corona:
Tel.: (41) 262 9633
E-mail: medusa@bsi.com.br
Caixa postal 5013
Curitiba/Pr
80061-990