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Em A Torre de Babel , Gabriel Nascente, poeta goiano de
inconfundível fôlego criativo e inegáveis qualidades no
artesanato do verso e no manejo da boa palavra, nos oferece 29 livros
reunidos de sua obra poética, reconhecida por todos que tiveram o
prazer e a oportunidade e lê-la:
A
poesia de Gabriel Nascente tem esse acento antigo e patético dos profetas ou dos alucinados, gaguejando num tom de
maldição e de terríveis presságios.Parece a voz eterna da humanidade preocupada com problemas elementares e por isso
insolúveis dos homens e suas mesquinhas coisas.Num tempo em que a poesia é
construída como se constrói um relógio, ele faz poemas como quem come com a mão.
Bernardo Élis
(...) e onde fui encontrar a marca de uma personalidade poética intensamente mergulhada no drama do mundo contemporâneo.
Carlos Drummond de Andrade
PÉRIPLOS DA PALAVRA - I
Gabriel Nascente
A palavra é meu cabo de enxada,
minha xícara de café - meu garfo.
A palavra é minha liça, lufa operária:
sino de navios que arrebata sereias
nos
arrecifes.
A palavra é meu leito, cítara de Davi.
(Espada de Dido: sinistro do amor em
chamas).
Massa de pão que levo à boca
e me conflagro em verbos,
raiz que excita os
lumes d alma,
andorinha que foge: branca nuvem
em meus
cabelos.
A palavra é meu gatilho:
dispara poesia.
Rocim das trevas, ressuscitai-me
no rosto dos meus mortos!
Nascente,
Gabriel. A Torre de Babel. Goiania, Editora Kelpes,
2000. 616 páginas
Editora Kelpes
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