Um acontecimento
se desloca
o pensamento
é o trabalho de uma jornada
corredores longos
que terminam
nos paradigmas dos cantos
o azul finge o céu
o quadro faz fluir
o imaginável.
Almandrade (Antônio Luiz M. Andrade) é artista plástico, arquiteto, mestre em desenho urbano e poeta. Participou de várias mostras coletivas, entre elas: XII, XIII e XVI Bienal de São Paulo; "Em Busca da Essência" - mostra especial da XIX Bienal de São Paulo; IV Salão Nacional; Universo do Futebol (MAM/Rio); Feira Nacional (S.Paulo); II Salão Paulista, I Exposição Internacional de Escultura Efêmeras (Fortaleza); I Salão Baiano; II Salão Nacional; Menção honrosa no I Salão Estudantil em 1972. Integrou coletivas de poemas visuais, multimeios e projetos de instalações no Brasil e exterior. Um dos criadores do Grupo de Estudos de Linguagem da Bahia que editou a revista "Semiótica" em 1974. autor dos livros: POEMAS, SUOR NOTURNO, TEXTOS SOBRE ARTE, ARQUITETURA DER ALGODÃO. Links: www.directory.com.br/almandrade www.expoart.com.br/almandrade http://www.notivaga.com/mpa.asp?autor=Almandrade www.eale.hpg.com.br/alman/
Os senhores das pedras
pensam poder romper
vidraças e olhares
Nem tudo podem:
a água do lago
teima em refletir
luares
Anisio Homem - "Nasceu em Florianópolis em 1961. Nesta cidade, nos idos de 1988 possuiu uma livraria chamada 'Sebo de Qualidade' onde reunia constantemente poetas, cineastas e artistas de sua geração. Há 14 anos mora em Curitiba. Poeta de esparsos em espaços públicos como guardanapos, agendas alheias e outros, entregou seus filhos ao mundo sem piedade. Publicou um livro de poemas chamado Golondrinas. Publicou ainda, em pequenas tiragens, dois modestos livros: Lâminas e Açúcar. Participou com artistas plásticos e poetas paranaenses de uma coleção de cartões-postais. Participou ainda, durante um pequeno exílio em Paris, de uma coletânea com poetas e artistas plásticos, entre eles Ives de Bonnefoy, pela libertação do poeta Sírio Faraj Bayrakdar.É quixotescamente editor de quando em quando e acabou de lançar pela Editora Pão e Rosas um conto inédito de Jack London". Veja outros poemas clicando aqui.
Avelino de Araujo - Nascido em 1953 em Patu-RN, atualmente vive em Natal, onde também é médico e artista plástico. Produz literatura / poesia visual / intersemiótica / experimental desde 1979, suas obras já foram impressas em mais de 250 revistas, jornais e antologias em todos os continentes. Está também, em dezenas de sites na Internet.
Veja biografia completa clicando aqui. Veja outros poemas clicando aqui.
Seu site é www.avelinodearaujo.hpg.ig.com.br
Ouço ondas
ampliando o centro de tudo. . .
(pedra nesse lago).
E ao lado tão quieto. . . parado
olhando o círculo mudo
de som arredondado,
se afastando do meio
e matando esmagado
(inseto).
Moro no último círculo da pedra,
onde nada chega
e nínguem enxerga,
lá, no eco do impacto. . .
caçando meu alimento,
repleto de lodo
(excremento dessa pedra).
Carlos figueiredo é poeta membro da Sociedade dos Poetas Novos.
Navegas, que eu sei,
Entre livros e pedras
Trazidas de longe,
Por deuses, profetas...
Navegas por mares,
Por rios sinuosos
Que antes, tão calmos,
E agora nervosos...
Navegas, eu sei,
E o sei muito bem !
Dos livros às pernas e
Por entre as pernas...
Mergulhas profundo,
Explorando impune,
Odores perfumes,
De um outro refúgio,
De um Outro mundo...
Navegas de dia
Mas sonhas à noite,
Quando navegar ou viver
Já não é mais preciso,
Já não é mais o ato,
Já não é mais o ser.
Cláudia Pastore é doutoranda da Universidade de São Paulo e prepara tese sobre O EROTISMO NA PRODUÇÃO POÉTICA DE PAULA TAVARES E OLGA SAVARY no departamento de Estudos Comparados de Literaturas de Língua Portuguesa da Faculdade de Letras.
Além de pesquisadora é professora universitária e também escritora, tendo lançado e organizado a antologia poética QUEM SENTE SOMOS NÓS, pela Scortecci, editora de São Paulo. Entrevista com Olga Savary - Link.
e outras mãos virão cuidar e colher flores e frutos
na parte mais alta em repouso (às vezes)
em tempos mal guardados da calma e descanso
nada mudará e nada passará
e breve
o espanto de meus passos
se aquietará
Cyana Leahy esta lançando se quinto livro de poesia - Seminovos em Bom Estado
(CL Ediçoes Autorais). Escreve poesia, ficção e ensaios, e pesquisa narrativas de mulheres.
Publicou oito livros, dezenas de artigos literários e acadêmicos, traduções e versões. Mas horas vagas, estuda teatro e toca piano.
Seu site é www.cyanaleahy.com.
Não sei definir o tempo.
Ele cai sobre a minha cama
mas usa máscaras.
Se disfarça de vento
mas é monotonia.
Usa roupas de sombras
mas é dia quente.
Tem um jeito de anjo
mas é solidão...
O tempo caminha pelo corredor
sem ter acordado.
É sonâmbulo de alma inquieta,
um grito abafado
em um salão vazio.
Tempo sádico que mata
todos os meus motivos,
deturpa as minhas vontades,
rabisca meus desejos e some.
Não sei definir o tempo.
Não sei se ele cura
ou se passa por cima.
Pode ser homem, mulher,
qualquer coisa.
O tempo que me sufoca,
o tempo que me abriga...
nasce / morre / renasce
Poema adormecido,
outro dia...
Daniela Furmankiewicz, nasceu em São Paulo em 1980 e mudou-se com sua família
para Atibaia com 4 anos de idade. Sempre gostou muito de arte e desde cedo começou
a se interessar por cursos que a ajudassem a desenvolver este lado. Fez curso de desenho
artístico, Pintura em tela, História em Quadrinhos, Artes Visuais e hoje está cursando Design digital
na Universidade Anhembi Morumbi em São Paulo e pretende iniciar um curso de Animação em 2D em breve. Daniela mistura técnicas
digitais e manuais.
Eu no meio do mundo
E a vida no meio de tudo
Eu escrevendo
Eu morrendo
Eu mexendo
Fazendo no meio
a vida em tudo
estou correta
estou deserta
estou cheia
estou média
estou com medo
estou sem veio
estou seca
estou dizendo
no meio do mundo
a vida no meio de tudo
Elaine Pauvolid é carioca, nasceu a 19 de dezembro de 1970. Funcionária
pública. Formou-se em Psicologia em 1994. Ingressou no curso de mestrado em
Ciência da Arte na UFF, em 1996. Em 1998, estreou como poeta com Brindei com
mão serenata o sonho que tive durante minha noite-estrela... (Imprimatur/7
Letras). Seu segundo livro chama-se Trago (edição artesanal da autora,
2002), prefácio de Gerardo Mello Mourão, foi lançado no evento ConVerso no
Café,coordenado pelo grupo Poesia Simplesmente, no Café do teatro Glacio
Gil.
A partir de 1999, tornou-se ensaísta freelancer e publicou resenhas no
Jornal do Commercio, O Globo e Jornal do Brasil e na revista Poesia para
Todos (Galo Branco) . Em 2000, passou a colaborar com crônicas para o Jornal
da Tarde de São Paulo, na coluna Arte pela Arte de editoria de José Nêumanne
Pinto, também como freelancer. Escreveu vários prefácios publicados.
Participa ativamente dos recitais de poesia no Rio de Janeiro. Idealizou e
organizou o Sarau do João do Rio, com apoio da livraria homônima, evento de
periodicidade semanal, que englobava a prosa e a poesia. Desenvolveu o
projeto Novos Sentidos, que incluía recitais em diversas locações com o
restaurante Xalan, no Catete e a Livraria Berinjela, no Centro. Idealizou e
edita a revista eletrônica semanal de cultura, Aliás
(www.almadepoeta.com/alias.htm), no site do poeta Luiz Fernando Prôa.
Apresentou-se no Fórum Poesia da UFRJ, e no curso de italiano da mesma
Universidade, a convite da Instituição.
Participou, como contista, das coletâneas: III Antologia Nau Lierária
(Komedi, 2001) e VI Coletânea Komedi (Komedi, 2002), e das coletâneas de
poemas: Poetas Cariocas (Íbis Libris, 2000); Santa Poesia (MMRio, 2001);
Cadernos de Poesia ( n.º 29, Oficina Editores, 2001), Terça ConVerso no Café
(Grupo Poesia Simplesmente, 2002),Perfil 2003 (Oficina Editores 2203);
Babel- Revista de poesia tradução e crítica (nº 5, Revista Babel, 2002);
Revista Poesia para Todos (nº3,Galo Branco, 2001). Na Argentina, em 2003,
foram publicados no jornal Nuevo Diario de Santiago del Estero, três poemas
do livro Trago nas versões em português e espanhol e um ensaio crítico que
aponta a autora como uma das promessas da poesia carioca.
A convite do poeta Márcio Catunda, participa deste livro com poemas de seus
dois primeiros livros e outros inéditos. Seu e-mail é pauvolid@olimpo.com.br.
Veja o blog da revista eletrônica semanal de cultura, Aliás clicando aqui.
Veja outros poemas clicando aqui.
a meu pai - Júlio Nobre Cavalcanti, no seu centenário (23/07/1903 - 2003)
os trabalhadores chegavam perto de meu pai
seu Júlio me arrume duas sumana de serviço
o outro queria quatro outro três
havia os que trabalhavam constantes
mês a mês
estes eram os amigos
trabalhavam em suas tarefas
sem precisar vigiar
acordavam cedo com os passarinhos
acendiam o fogo faziam café
bebiam a sua xícara de café
o café forte bem preto
café torrado com rapadura
e pilado no pilão
dia claro saiam pisando o orvalho
a enxada nas costas
a foice o cavador os ferros que domam a terra
a cabaça dágua a tiracolo
saiam de suas casas de taipa
na trilha pegavam a estrada
pisando o orvalho
até chegar na cancela da propriedade
abriam a cancela e pegavam no serviço
limpa do algodão limpa do feijão e do milho
outros cuidavam das cercas cavando covas
enterrando as estacas
pregando o arame cuidando dos cercados
tinha o que limpava a planta da palma
plantio da palma que é a melhor comida do gado
o vaqueiro meu compadre cuidava do gado
e do curral das vacas leiteiras
as mulheres trabalhavam nas colheitas
do algodão do milho e do feijão
na terra molhada arada na quadra das plantações
no princípio do inverno
os homens cavavam rápido e cantando
as mulheres atrás acompanhavam cantando
e jogavam as sementes nas covas com a mão
com o pé cobriam de terra as sementes
no tempo as mulheres as mesmas que plantaram
e mais outras iam colher as roças
todos recebiam o pagamento em dinheiro adiantado
para o trabalho de uma semana
portanto trabalhavam de barriga cheia
e devendo serviço a meu pai
todos cumpriam suas tarefas
e no fim da tarde vinham à presença de meu pai
contavam o que foi feito
o que restava por fazer
meu pai conhecia a terra
o tamanho dos serviços
o tempo necessário
a parte mais fácil de execução
a mais dura de executar
e tudo saia direito e sem brigas
trabalhador de meu pai não brigava no serviço
quando vinham as festas ganhavam roupa nova
para os homens a calça a camisa o paletó
a alpercata o chapéu
e as mulheres ganhavam vestidos
ganhavam as mulheres as sandálias
apareciam de vestido novo penteadas
ruje na face
baton na boca
namorando na festa
na roça eram cobertas por chapéus
na roça eram cobertas por chapéus de palha
e trabalhavam com vestidos usados
usando tipóias quando colhiam o algodão
ficavam bonitas suadas cantando e colhendo
e davam risadas fortes
na roça a conversa era quem estava grávida
quem casou quem ia casar
e mais terrível quem se perdeu
aí topava no caminho da prostituição
fulana que namorava fulano
quem roubou a filha de quem
e casamento na delegacia
as menores seduzidas
falavam quem tinha parido
e a fulana que estava buchuda
as roças de meu pai ainda safrejam
os herdeiros do sangue
filhos netos tataranetos
espalhados pelo mundo
descendentes de trabalhadores
das roças de meu pai
o nome de meu pai
é o toque de um sino
há respeito e gratidão
Emmanuel Cavalcanti, é poeta, cineasta e ator. Autor do livro "Diário de Bordo", do documentário "José de Alencar", ator de "Terra em Transe" e "O Dragão da Maldade contra o Santo Guerreiro", entre outros.
Para comer, beber, viver
gasto dinheiro (que nem ganhei).
Meus poemas
derrubam árvores.
FABIO José Alfredo Santos da ROCHA vive no Rio de Janeiro, onde nasceu, em
04 de junho de 1976. Cursou Engenharia Elétrica na UFRJ (mas não concluiu o curso) e se formou em Administração de
Empresas na UERJ. Ao longo de um tempo historicamente curto - ele começou a escrever em 1994, aos 18 anos de
idade - FABIO ROCHA publicou vários livros e juntou um monte de premiações em concursos. Seus poemas estão nos
seus livros (de papel e eletrônicos), em vários sites de língua portuguesa, são notícia de jornal e até andam de
ônibus. Como foi o caso do seu poema "A Magia da Poesia" que circulou no Busdoor colocado na traseira dos veículos
de Blumenau, em 2000. Foi este poema que deu nome ao seu primeiro livro, publicado em janeiro de 2001. Depois, vieram
mais cinco, eletrônicos - "Tudo Pelos Ares", "Na Medida do Impossível", "PraLarvas", "Vice-Rei" e "Caminho a Manhã" - todos
disponíveis para leitura no seu site pessoal: http://www.fabiorocha.com.br.
"Um detalhe singular ou particular é a fundação do sublime..."
(William Blake)
I
O jipe do doceiro
Semeia piás nas ruas:
Manhã o dia inteiro
II
Chaleira apitando
Um chorinho provocado
Leite derramado
III
Andorinhas mortas
Ao lado dos trilhos:
Viagem-desvio
IV
De uma sapatilha
Usada - num lixão
Salta uma rã dançando baião
V
Uma pitada de sol
No anzol fisgado
-Dourado!
VI
Estou tentando escrever um rio
Ainda não consegui
(Um rio nunca cabe em si)
Silas Corrêa Leite , de Itararé-SP, é Educador da Rede Pública de Ensino,
pós-graduado em Literatura, Inteligência Emocional, Relações Raciais e
Jornalismo (ECA-USP), poeta e ficcionista premiado, consta em diversas
antologias literárias, até no exterior, autor do livro Trilhas & Iluminuras,
Poemas, Editora Grafite, 1995, colabora com alguns suplementos culturais e
diversos sites, até em Portugal, Venezuela., Argentina e México, foi
elogiado entre outros por Elio Gaspari, Jamil Snege, Ledo Ivo, Artur Távola,
João Silvério Trevisan, Nelson Oliveira e Revista Aldéa, Espanha, Autor do
e-book O Rinoceronte de Clarice, onze contos fantásticos com três finais
cada, no site: www.hotbook.com.br/int01scl.htm - (mais de quarenta mil
downloads), que foi destaque na TV Band (Momento Cultural - Márcia
Peltier), Metrópolis (TV Cultura), Folha, Diário, Estadão, Revista Kalunga,
Revista da Web, JBonline, Poetry Magazine (EUA),etc.
Seu sites são : www.poetasilas.hpg.com.br e www.silaspoeta2222.kit.net .
Seu e-mail é poesilas@terra.com.br .
Veja outros poemas clicando aqui.
naquela noite pintei as unhas
(de transparente)
pra disfarçar
que eu era tão bonita
frente ao espelho
transparente
com meus olhos vermelhos
boca, pelo em flor.
beijei seus lábios de vidro
e foi tão
(aperto firme as coxas)
foi tão quente
que me chorei toda
desde esse dia
levo como amuleto
uma lágrima no peito
transparente
Um pêndulo oscila, com em um relógio,
marcando a passagem do tempo.
Enquanto vai e volta, o olhar descansa
em sua imagem móvel, dando lugar ao sonho.
Não se apresse nem nada tema.
tudo tem sua hora e modo.
Se o coração se aquieta, deixa-o.
se ele se enternece, acredite-o.
Aprenda com ele a viver.
Batidas compassadas, idas e voltas,
e pausas.
A vida cabe no coração e o coração, na mão.
Ele e teu punho fechado têm o mesmo tamanho.
O que cabe em tua mão?
É a mão que estendemos
e com que amparamos o amigo
e no coração guardamos os maiores amores.
Todos cabem, como caberiam dentro da mão.
Que vasto é o oceano que passa pelo coração.
Thereza Christina Motta nasceu em São Paulo, em 1957. É poeta, editora e tradutora. Publicou Relógio de sol (1980), Papel arroz (1981), Joio & trigo (1982), Areal (1995), Sabbath (1998), Alba (2001), Chiaroscuro (2002), Lilases (2003), além de participar de diversar coletâneas e antologias, entre elas, Poemas cariocas (2000) e Rios (2003). Vive no Rio, onde organiza a Ponte de Versos, com Ricardo Ruiz e Gilson Maurity. Fundou a Ibis Libris em 2000..